twitter_xuxa

Em 2005, em meio ao referendo do desarmamento que mobilizou o Brasil inteiro, jornalistas sedentos por furos de reportagem acreditaram em uma corrente que passou de e-mail em e-mail e iniciou no site Cocadaboa, alimentado na por Mr. Manson, hoje sócio da agência de guerrilha Espalhe.

Um arquivo de áudio mostrava a entrevista entre a jornalista Laura e Xaxim, suposto traficante que mandava no morro do Dendê. O conteúdo, integralmente falso, demonstrava porque o traficante era a favor da proibição da venda de armas para civis e contava detalhes da campanha que ele estava fazendo na comunidade para que todos votassem sim (a favor da proibição).

Sem apurar quem eram os personagens ou qual era a origem desta gravação, vários veículos de comunicação divulgaram trechos da entrevista. Ou seja, jornais e revistas de todo o Brasil estamparam em suas páginas uma noticia falsa, inverossímil, mas bastante impactante.

Semana passada, quatro anos depois do caso “Xaxim vota sim”, pudemos rever o despreparo de alguns jornalistas que não apuram os fatos que divulgam. Xuxa, a que carrega o título de rainha dos baixinhos, protagonizou uma história boba que ganhou grandes proporções. Ao dar a chance de sua filha twittar e conversar com os seguidores da mãe, a pequena Sasha escorregou no Português e escreveu a palavra “cena” com s. O #mimimi rendeu várias piadas e uma espécie de revoltazinha da apresentadora, que saiu batendo o pé.

Aproveitando o momento, o blog Jogando Praga, site de humor especializado em noticias fictícias, publicou um post dizendo que Xuxa seguiria os passos de Cicarelli e mandaria bloquear o Twitter pelas ofensas proferidas a ela e sua filha.

O aviso dentro de um box vemelho qualquer notícia encontrada aqui neste blog é apenas uma brincadeira de mau gosto encontrado no rodapé de todos os posts do Blog foi totalmente ignorado por membros da imprensa que se sentiram à vontade para chupar o conteúdo na integra e ainda inventarem uma fonte para publica-los.

Pronto. Jornais, boletins informativos e vários sites passaram a exibir a notícia como se fosse real. E, surpreendentemente, até a versão on-line do Jornal do Brasil caiu no boato.

Impressiona ver que os jornalistas não conferem sobre o que estão divulgando. O imediatismo do furo, a vontade de falar primeiro sobre algo que irá repercutir faz com que os editores esqueçam a principal qualidade que um veiculo de comunicação deve ter: a credibilidade.

Mais do que isso, pudemos ver a copia fiel do texto escrito no Jogando Praga, blog mantido por um amigo pessoal que assim que viu as primeiras copias começou a alertar que vários jornais replicavam a informação sem mudar um ponto ou vírgula, acrescendo fontes que nunca existiram.

Fica a dúvida sobre aqueles que escrevem, editam e montam as pautas dos jornalistas. Será que é melhor noticiar antes de todo mundo, buscando a exclusividade a pontualidade de um fato, ou perder um certo tempo para descobrir se aquele fato é mesmo real, se ele pode ser interpretado de outra forma, se merece mesmo ser divulgado, se é pertinente ao publico ou é apenas mais uma notícia vazia, uma besteirinha para ocupar uma pauta vazia.

A pressa é inimiga da informação.

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