
Além das paredes limítrofes de sua casa ou apartamento vive um ser repugnante e inconveniente chamado vizinho. Aliás, provavelmente não seja um só, mas sim vários, rodeando o seu querido lar como se fossem moscas varejeiras.
Eles nasceram com uma única função: incomodar. Não importa a hora, o dia, ou a situação, o vizinho sempre vai estar de alguma maneira invadindo o seu espaço, coisa que provavelmente você não faça e nunca tenha feito com ele.
Não, não estou falando daquele vizinho romântico que pede uma xícara de açúcar emprestada, ou um cortador de grama. Isso é coisa de seriado americano. Principalmente o cortador de grama. Nem da vizinha gostosa dos filmes pornôs, que bate em sua casa com trajes minúsculos pedindo para você consertar o chuveiro da casa dela. Esses, senhores, nunca existiram. Estou falando de vizinhos reais como os meus e os seus.
Vizinho que é vizinho tem um péssimo gosto musical. Ouve aquela dupla sertaneja dor-de-corno-melancólica que ninguém agüenta, canta junto e ainda deixa em repeat eterno a música mais horrível de todas. Ou, coloca um CD de pagode gospel quando já passam da meia-noite. Abençoada seja a madrugada em que o aparelho de som exploda, ou que acabe a energia na casa do cidadão. Mas, por mais que eu reze, o máximo que consigo como graça é uma tremenda dor de cabeça e uma noite a menos de sono.
Vizinho de verdade é enxerido. Abre sua correspondência sem querer, conta os minutos que você passa em casa e puxa assunto sobre o tempo quando você está de saída. Será que chove, vizinho? Com aquele sorriso amarelo você responde que talvez, mas dentro sente a vontade de responder que não sabe, mas que ficaria muitíssimo contente se um raio explodisse a cabeça dele. Dramático, mas pode acontecer.
Vizinho quando faz algum evento em sua casa orienta as visitas dele a obstruírem a garagem de quem mora ao lado. Isso mesmo, pode haver uma rua inteira de vagas, mas a tia, sobrinho, irmão ou cunhado de seu vizinho vai, com certeza, parar o carro exatamente na frente da saída do seu carro. Foda-se guia rebaixada ou bom senso. E a sentença “Sujeito a Guincho” não espanta ninguém, quem sabe “Sujeito a Esquartejamento?”
Vizinho só faz churrasco quando a sua roupa está no varal. Assim, todas elas ficam com aquele agradável aroma de refugo de carvão queimando. E se a festa se estende, certeza que vai ter alguém xingando, gritando, jogando truco ou fazendo qualquer coisa aos berros, mostrando sua alegria, felicidade e embriagueis para a rua inteira. A animação de uns é o martírio de muitos.
O pior de todos é aquele vizinho sem hábitos de higiene, que deixa a casa dele virar um chiqueiro. Aquele que na hora de cozinhar, não sei porque cargas d´água, infesta casa dos que moram ao redor com um odor horrível, como se cozinhasse lixo hospitalar com toques de enxofre e ovos podre. Nem o tietê fede mais.
Para ter paz e sossego façam como este que vos escreve: guardem uns trocados e em vez de comprar somente a sua casa, compre todas em volta. Mas não alugue, venda ou loque. Deixe-as vazias, sem ninguém. Ai, com certeza, você ficará livre de ter vizinhos.
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28, Aug, 2009 at 5:18 PM
“Sujeito a Esquartejamento” deve funcionar haha, vou usar essa na frente da minha casa. Ótimo texto.
28, Aug, 2009 at 5:40 PM
Legal o texto e é a pura realidade dos meus vizinhos, só que ao invés do sertanejo, é aquele estilo de música que eu particularmente chamo de ‘tuchi-tuchi’… onde só é possível escutar o ‘tum-tum-tum-tum’ da música. Argh!
07, Sep, 2009 at 1:37 AM
Eu tinha um vizinho insuportavel, daqueles que sobe no muro para ver quem esta na sua casa, joga bomba quando você recebe amigos, implica com choro do seu filho pequeno…, implicou ate o dia em que levou uma chifrada, e por incrivel que pareça, sua esposa saiu com vizinho que mora em frente… foi o melhor remédio… virou um corno manso… hoje trata todo mundo bem… não implica com mais nada… acho que não da tempo, deve ficar cuidando do chife!