
Entre os milhões de Spans e Hoax que recebo em minha caixa de entrada do e-mail, um deles me chamou a atenção: alguém dizendo que tem o direito a 10% do prêmio do concurso 1060 da Mega-Sena, sorteado para um apostador de Curitiba, dia 27 de março, data próxima ao aniversário da capital paranaense.
O autor do texto, Chico Fantasma, tenta provar que o prêmio só saiu para um apostador de Curitiba pelos seus insistentes e-mails e cartas enviadas a autoridades afirmando que as loterias são uma grande fraude. Segundo ele, na manhã do dia 27 ele já sabia que um único apostador de Curitiba receberia o prêmio. E isso só para fazer com que a opinião pública acreditasse ainda mais nos sistemas de jogos da Caixa Econômica Federal e não em suas teorias conspiratórias.
O engraçado é que a teoria da conspiração que Chico Fantasma tenta desvendar já rendeu muitos textos no blog pessoal do autor. Lá, ele mostra que comprou dois globos de bolinhas e simulou sorteios das loterias, fazendo da mesma forma que o Caminhão da Sorte. E os resultados que ele encontrou foram bem diferentes do que os da Loteria. Claro que tudo isso é questão de probabilidade e não prova muita coisa, mas o jeito que Chico não dá o braço a torcer e toda a semana repete o texto da suposta fraude.
Quando comentei com Karen Tortato, do Mondo Bacana, descobri que não é de hoje que Chico Fantasma é uma figura polêmica. Ela lembrou que, em 1992, o mesmo foi candidato a vereador e fez uma campanha bem estilo “professor Galdino”. Ele se vestia com uma capa semelhante a do Fantasma, herói dos quadrinhos, e segurava uma caixa de sapatos em forma de caixão que tinha um gravador dentro rodando suas 10 principais promessas de campanha e o bordão “Chico Fantasma vai fazer o sangue dos corruptos gelar”.
E de acordo com as imagens abaixo, ele continuou tentando seu espaço na carreira política. Dois anos depois, candidatou-se a Deputado Estadual e fez uma campanha bizarra novamente.
Chico Fantasma promete lançar um livro em breve e, segundo ele, o terceiro capítulo da publicação contará vários detalhes sobre como as Loterias da Caixa Econômica Federal são uma fraude.
E agora, será que Chico Fantasma tem razão ou ele é só mais um desequilibrado aproveitando a voz que a Internet dá para expor idéias sem fundamentos? Essas histórias caem junto com os milhares de mitos e lendas urbanas que lemos dia a dia em nossas caixas de entrada. Assalto no cinema, seringa com vírus HIV e as milhões de notícias falsas e sem fundamento que circulam pela Internet.
As provas que Chico tem podem até fazer sentido, mas elas caem por terra na primeira impressão: o jeito galhofa de seu autor. Um cidadão que escreve barbaridades, se veste como um herói dos quadrinhos e age feito um desequilibrado, nunca terá a credibilidade necessária para tratar de assuntos sérios, principalmente quando eles tem mais cara de imaginação e teoria da conspiração do que um fato real.
Chico Fantasma se torna, portanto, o oposto do que ele queria. Um mero personagem, daqueles que todo mundo ri, mas ninguém acredita. Será que com os 10% que ele quer do prêmio, ele comprará uma camisa de força?

2009 começou. O ano novo entrou dando uma voadora com os dois pés na porta e está aí. Porém, nunca foi tão comentando, especulado, falado e desmentido que será um ano difícil.
As peças publicitárias de instituições financeiras tentam pregar otimismo e solidez. As entrevistas de autoridades, sejam elas de qual grau forem, enfatizam que a crise será vencida, não será sentida, não atrapalhará, não existirá, será domada, morta, estuprada e ninguém verá diferença nenhuma no dia-a-dia.
“A crise não atravessou o Atlântico.”
Luis Inácio Lula da Silva – Presidente do Brasil
Tentando salvar a economia, acabando com a geografia.
Mas, quando o relógio denunciou a virada do ano pensei que era chagada uma importante hora: a primeira vez em que passarei por uma crise financeira. Sim, leitores, minha pouca idade, que não revelo para não perderem o respeito com este pseudo-escritor, faz com que alguns acontecimentos sejam meras lembranças, coisas que não sofri de fato, apenas acompanhei.

Lembro do tempo que todos dias no mercado o preço de tudo era diferente, era demarcado pela maquininha de colar preço que tinha um barulho irritante. O que hoje custava x, amanhã podia custar 4x, então todos recebiam e corriam comprar tudo. Maldita inflação.
Recordo também das eternas mudanças de moedas, e das notas de 500.000 cruzeiros. Exato, era bizarro ver como o valor das coisas disparava, voltava, ganhava e perdia zeros da noite para o dia. Notas carimbadas, moedas que valiam muito, mas na verdade não valiam nada e uma série de mudanças e conversões. Cruzeiro Real, URV, até que o Real do FHC parou com essa putaria e desde que me entendo por gente a moeda é a mesma.
Mas nesse tempo eu não dava a mínima para tudo isso. No máximo queria saber quanto custava o envelope de figurinhas do álbum do campeonato brasileiro ou um gibi do Chico Bento.

Teve uma época, que antes de ir para escola, tomava café assistindo o Bom Dia Brasil. E, volta e meia, a merda que dava lá do outro lado do mundo, refletia aqui nos cofres do Brasil. Quando os Tigres Asiáticos chacoalharam, chacoalhamos aqui também. O mesmo aconteceu com a Rússia, e outros países. E aí, sempre víamos o Brasil pedir socorro, empréstimos ao FMI e dinheiro para o cunhado. Ainda levamos sustos com o estouro da bolha da Internet, quando muita gente se deu mal, apostando grana alta em ações de empresas da grande rede. E enquanto tudo isso acontecia, a única coisa que eu sabia era quanto custava um CD novo.
Agora em 2009 tenho minhas próprias contas, planos, salários, impostos e tudo mais. Portanto, será a primeira vez que meu pobre bolso sentirá as mordidas dessa suposta recessão. Na prática, não sei o que tanto muda. Mas todo esse alarde e otimismo, tentando vender que ninguém precisa ter medo é o que mais me amedronta. Afinal, se estivesse tudo certo, sem nenhum problema, ninguém tocaria no assunto. É como tapear criança na fila da vacina dizendo que não vai doer nada. Que nossos bolsos não doam no ano que está começando. Feliz Ano da Crise para todo mundo.




























