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Vai parecer arrogante dizer isso, principalmente para um Comunicólogo formado, mas, dificilmente leio revistas. Sim, substituí minhas fontes de informação pela Internet. Por quê? Primeiro pela facilidade, mobilidade e comodidade. Segundo, pela confiabilidade das fontes e produções. Sim, confio mais em blogs e sites do que em corporações que vendem informação por assinatura. Mas o fato é que uma revista em particular chamou-me muito a atenção na banca, a Trip desse mês. E não foi por nenhuma gostosa na capa, aliás, a capa se quer citava qual modelo estava no ensaio do mês. Mas tinha algo muito mais atrativo.

Há meses a revista colocou em pauta o tema “política”, tanto que realizou eventos e ciclos de discussão sobre o tema. E, provavelmente, para enriquecer ainda mais essa discussão resolveu fazer um teste de honestidade com seus leitores: a Trip desse mês vem encartada com uma nota de R$ 2,00. Isso mesmo, a revista tem uma nota de 2 reais de verdade na capa com o título “Foi você que perdeu esse dinheiro?

Isso foi o suficiente para eu querer comprar a revista. Não pelo valor da nota, mas para descobrir se ela era de fato real e qual era o propósito de ela estar ali. Depois de abrir a embalagem constatei a genialidade da ideia. Ao tirar a nota, você descobre a resposta do título “Não foi? (quem perdeu o dinheiro) Então, por favor devolva para a Trip Editora” e os dados postais para o envio.

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Genial não? Eu estava no aeroporto de Congonhas. Na mesma hora, procurei os Correios mais próximos e enviei a nota de volta. Provavelmente a próxima edição irá contabilizar quantos foram honestos ao ponto de devolver o dinheiro.

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Até aqui, tudo bem. Ação genial que quer demonstrar a honestidade dos brasileiros. Nesse teste eu passei, devolvi a nota. Mas não coloco minha mão no fogo por mim mesmo. E acho que todos também deveriam fazer assim.

Já perceberam o quanto reclamamos da corrupção de nossas autoridades, políticos, policiais, médicos do Sistema Único de Saúde, líderes religiosos, entre outros, mas deixamos nos corromper nas pequenas coisas? Quem é que nunca tenta dar um jeitinho para burlar uma coisa ou outra, mesmo que isso não prejudique ninguém? Quem é que não deixa passar um troco dado a mais, quando um caixa erra na conta? Quem não fura uma fila? Não faz corpo mole no serviço pra matar um tempo que e outro ali?

Não avisar que recebeu troco a mais e desviar milhões dos cofres públicos configuram a mesma falha de honestidade, tendo diferença apenas no montante do crime.

O problema maior é que está enraizado na cultura do povo que somos “espertos” que damos jeito pra tudo e não medimos as conseqüências disso, afinal somos malandros por natureza.

E é ai que nascem Sarneys, Barbalhos e outros tantos da vida. Em vez de dar um jetinho, precisávamos de é dar um jeitão de chacoalhar todo mundo e mostrar que ta tudo errado.

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