Reforma Ortográfica

No dia do centenário de falecimento de Machado de Assis, o presidente Lula sancionou o novo acordo ortográfico. Longe de mim defender o que é velho, arcaico e ir contra novidades e evoluções. Porém, acho que mexer na nossa língua, uma das cosias que nos dá identidade, é no mínimo estranho.

Uma idéia nunca mais será a mesma, agora que não terá mais acento. Talvez o acento da assembléia tenha ido para o bolso de um algum político. As jóias também perderam valor agora que são grafadas peladas. E o “para”? Para de parar, ou para de “isso é para você”?
Os anti-semitas enforcaram o hífem, de raça inferior, e ganharam um s, em sua luta contra outros povos. Os anti-religiosos não ficaram atrás e trocaram o hífem por um r.

Aos que crêem, não perderam a fé, mas sim o acento circunflexo. E a partir do ano que vem, todos viajarão em pé em vôos sem acento. Mas, sobretudo, nunca mais ficarei tranqüilo sem trema.

Ainda acho, que isso é uma grande conspiração. Um acordo para gráficas e editoras venderem gramáticas revisadas. Até o fim do ano que vem, poderemos misturar tudo, escrever do jeito antigo ou do jeito novo. Mas em 2010 serão sepultadas as tremas e acentos diferenciais. Será que o grande Machado, aquele de Capitu e Bentinho, do “Ao vencedor as batatas!” e da fundação da Academia Brasileira de Letras, gostaria de ver nossa língua alterada e adulterada?

Senhores aprendam miguxes, pois no futuro pode ser que o “axim” seja adotado em um novo acordo.

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