Quanto vale um diploma?

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Na Campus Party, um dos episódios mais curiosos foi a expulsão do DeLeve do palco do Sarau Digital. Enquanto muitos gritavam “fora” e explicavam que não estavam ali para ouvir funks com palavras de baixo calão, o cantor, que não caiu no gosto dos nerds, justificou que suas letras incomodavam os presentes por irem contra o pensamento de todos. Em uma das músicas, por exemplo, ele clamava para que todos rasgassem seus diplomas e limpassem suas respectivas bundas com eles.

Mas no final de contas, quanto vale um diploma? O meu está custando muito caro. Não só pelo valor pago mensalmente a uma faculdade particular, mas pelo sentimento de estar concluindo a universidade sem ter adquirido tanta bagagem quanto achava que ganharia.

Claro que vocês vão dizer que é o aluno que faz a faculdade, que depende de sua dedicação, esforço e força de vontade. Porém, quando você entra em uma universidade com 50 anos de história, espera-se, pelo menos, o mínimo. Mas depois de estar 4 anos dentro da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, arrisco dizer que a PUCPR só tem nome.

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Aos poucos, fui descobrindo que os professores que lecionam nas cadeiras do curso de Comunicação, mais especificamente Publicidade e Propaganda, não se atualizam, não buscam novos assuntos e os mais antigos, comprovadamente, dão a mesma aula há mais de 10 anos sem tirar uma vírgula ou por um ponto a mais.

Esse atestado de “atraso” é comprovado a cada dia. Já tive professor que falou na sala de aula que o futuro da publicidade é entrar na web. Ou até mesmo, na cadeira de Novas Tendências, esses dias, apontaram o Second Life como algo novo e revolucionário, um novidade que vai ter destaque. E o mais surpreendente e engraçado: quando utilizei o a Teoria da Cauda Longa em minha monografia, fui questionado se eu eu falaria sobre alguma ONG protetora do meio ambiente que tinha esse nome.

Ora bolas, dá para ser feliz assim? Dá para acomodar nossas bundas nas cadeiras e assistir a aula do começo ao fim, sabendo que as aulas de algo que muda dia após dias é a mesma de anos e anos atrás? Preocupa-me profundamente que outros cursos sejam iguais. Fico com medo de entregar a minha saúde a médicos que estão saindo agora da faculdade, pois se eles tiveram o mesmo tipo de aula que eu, sairam sabendo o básico do básico do básico.

Por isso, retorno a pergunta: será que o diploma, o canudo em si, aquele documento assinado pelo reitor da universidade, vale muita coisa? Profissionalmente venho construindo minha carreira, porém se dependesse do respaldo da academia, ou do nome da universidade que cursei para subir na carreira de publicitário, não estaria nem nos primeiros degraus que me encontro hoje. Por tanto, em julho, quando me formar, terei sim um sentimento de alegria. Mas ao mesmo tempo saberei que estarei apenas comemorando o pagamento da última parcela de um quadro novo para pendurar na parede.

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8 Comentários

  1. Parece que toda essa trabalheira de ter que estudar quatro anos na faculdade não vale pelo conhecimento, mas somente pelo diploma.

    Ruim com ele, pior sem. E viva o clichê.

  2. Oi, Bruno,

    escrevi sobre esses temas algumas vezes:

    http://queroterumblog.com/blogs-podem-fazer-sua-parte-por-uma-educacao-melhor/

    Abraços do Alessandro.

  3. Nilson

    Bom, infelizmente tive esse mesmo problema, troquei de faculdade 4 vezes e de curso 3, sempre buscando o curso que eu chegaria empolgado na aula para aprender e por em prática no meu trabalho, doce ilusão, agora estou voltando ao mesmo curso e faculdade que abandonei há tempos, para terminar meu curso, finalmente!

    Não preciso nem dizer a sensação de dejavu que tive ao ler esse texto, na verdade eu já devo ter falado a mesma coisa várias vezes com outras palavras em mesas de barzinho com os amigos, só troque Publicidade por Tecnologia da Informação.

    Parabéns por ter botado isso em forma de artigo.

    PS: Eu estava na Campus party, vaiei e gritei pro deleve sair do palco, não porque eu estava incomodado pela letra chula das músicas, mas porque odeio esse tipo de som e estava muito incomodado com aquilo tocando em alto volume. Nada pessoal contra o deleve, inclusive, achei ridículo terem ido lá querer briga com ele.

  4. Luigi Locatelli

    Com relação à PUC eu tenho uma teoria para a diminuição da qualidade.

    Alguns anos atrás (quando eu fiz direito ali), existiam somente 4 faculdades de direito em Curitiba (UFPR, Curitiba, PUC e a retardatária TUIUTI).

    Os professores bons da cidade ficavam entre o pretígio da UFPR e divididos entre os salários particulares da PUC e Curitiba.

    No presente ano, existem mais de 19 faculdades de direito em Curitiba, o que fez com que os professores bons se “diluíssem” entre várias dessas particulares em busca de dinheiro, diminuindo a “densidade” de bons profissionais na PUC, por exemplo.

    O meu exemplo é de direito, mas sei que se encaixa perfeitamente no caso de PP. (fiz um semestre na UnicenP há uns 4 anos).

    Tem lógica?!?

  5. Tereza Jardim

    “Parece que toda essa trabalheira de ter que estudar quatro anos na faculdade não vale pelo conhecimento, mas somente pelo diploma.”

    Eu tive que citar o colega Tulio aí em cima… Eu entrei na Universidade do Estado do Pará em 2003, Design de Produtos. Perdi a empolgação em 2004, desisti de me formar em 2007 (quando já era pra estar formada), matriculei em 2008 pra trancar, e esse ano estou decidida a retomar e me formar. Nem vou entrar nos detalhes de por que tanta indecisão, é uma longa história.

    Mas digo que hoje foi meu primeiro dia na aula de Computação Gráfica I, disciplina que já havia cursado em 2004 mas eles dizem que eu não tenho nota. Qual não foi a minha surpresa quando vi que o mesmo professor ia passar o mesmo projeto de 5 anos atrás, com a mesma inutilidade pro curso de design?!!

    E quando penso que, com duas semanas na agência onde trabalho, já tinha aprendido muito mais do que nos 3 módulos de Computação Gráfica do curso?!

    É, me dá o maldito canudo e vambora trabalhar…

  6. Quando terminei meu então 2º grau a milênios atrás, falava-se muito que a Faculdade era a porta de entrada pro mercado de trabalho. O meu problema é que aos 17 já era pai e tive de optar por continuar os estudos ou botar comida na mesa…
    Nunca mais procurei concluir. Ouvi de muitas pessoas (e muitas áreas mas principalmente belas artes) que o ‘criativo’ não se cria, porque ainda hoje o sistema de ensino é totalmente taxativo, vc não tem a opção de pensar por si mesmo, é o que mais ouvi.
    Seu texto só me embasa, definitivamente faculdade está longe de meus planos, pelo menos nessa vida.
    Ainda acho que os cursos profissionalizantes são os mais indicados e, mesmo assim, nada substitui o talento ou seja, aprender é questão de buscar o conhecimento por si mesmo. Tenho amigos em áreas como música, informática, web, design, que nunca fizeram um único curso e ganham bem mais que muita gente que ralou 4 anos de mensalidade numa facul pra ter o (bendito/maldito) diploma.Chega a ser injusto, mas é bem real.
    Tenso…muito tenso!
    Lembro-me de uma cliente que trouxe um arquivo pra impressão em Power Point e sequer sabia a diferença entre CMYK e RGB mesmo formada em ARTES GRÁFICAS e outra de Jornalismo que nunca tinha visto na vida uma ilha de edição…
    O problema são as empresas que dão muito valor ao diploma e pouco ao profissional em si, suas qualidades, suas aptidões…já escrevi sobre isso também: (http://migre.me/4bI).
    Acho que o caminho é o conhecimento aliado à experiência e infelizmente essa ultima pra conseguir tem que se submeter a cargos e salários menos dígnos, mas penso ser o mesmo caminho pós facul (só que bem mais barato!).

    (Porém a Facul. Positivo onde rolou o #FMDS deixa a gente com uma vontade de voltar a estudar!)
    Parabéns pelo post…continue escrevendo!

  7. Realmente Bruno, tem professores que acham blogs, twitter e afins coisas de outro mundo, quando já se tornou realidade em muitas agências de publicidade.

    Concordo com tudo que vc disse. Me formei há três anos e sinto que aprendi o basicão e tudo o que sei hoje, devo graças à web.

    Parabéns pela coragem em escrever o que muita gente pensa, mas fica com vergonha em falar.

  8. Oi Bru

    Muito nota 1000 esse post!

    Você abordou de forma clara e objetiva o que acontece nao so ai na PUCPR como em muitas faculdades de nome por ai afora. (inclusive na q eu fiz).

    Sobre a sua pergunta…

    Sinceramente? Pra voce ter um valor diferenciado no mercado vale, pois hj em dia a formacao academia, as especializacoes estao sendo muito valorizadas, e só depois na prática é que os contratantes veem que muitas vezes “compraram” gato por lebre.

    A experiencia profissional, por experiencia propria, só vamos ganhando quando estamos com a mão na massa, e até hoje não usei 1 conhecimento que seja adquirido na faculdade para o meu dia a dia… e como você anos atrás me revoltei igual, por que para complicar ainda mais, nos deparamos com mensalidades de valores estupradores, que só servem para encher o bolso dos donos, pois nem melhoria e recursos dignos encontramos na faculdade.

    Enfim, se eu for falar tudo q acho por aqui, ficarei até amanhã, mas na minha opinião, não foi ontem, não será hoje e muito menos amanhã que um diploma ditará se você é bom ou mau profissional, pelo contrario, isso só o dia a dia (mão na massa) irá comprovar!!!

    Parabens!!!!
    Beijokas
    Mel.

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