
Dentre várias coisas detestáveis que o Natal representa pelo menos uma delas é útil para a sociedade: o aumento de empregos temporários. Como o comércio esquenta e precisa de mais escravos funcionários colaboradores, com muito ritmo e pique para agüentar as maratonas e de vendas incessantes, muita gente se beneficia.
Mas a profissão, por assim dizer, que mais aumenta a procura e ganha uns trocados nessa época, é a de Papai Noel. Isso mesmo, velhos barrigudos e barbudos, deixam o marasmo de seus lares para assustarem alegrarem o Natal de diversas crianças.
E eles se proliferam feito praga. Pode ver! Qualquer loja de departamentos, calçados, roupas, posto de gasolina, feirão de carro usado, supermercado, camelo e até pizzaria, tem Papai Noel.
Mas vida de bom velhinho não é fácil. Mesmo em cidades que não tenham climas tão quentes, não deve ser nada agradável ficar de bota, calça, casaco vermelho, gorro e barba, minando suor, aturando criancinhas em seu colo e flashes o dia inteiro.
A imagem do velho Noel modificou bastante desde que a lenda foi criada. O símbolo representa São Nicolau, um bispo turco que viveu no ano de 320 d.C e dava escondido sacos de moedas aos pobres. Com o tempo sua fama foi crescendo e atribuíram-no alguns milagres o que tornou-o santo.

Imagem de São Nicolau
No século XIX na Alemanha foi associada à figura do bom velinho ao Natal. Antes, o dia de São Nicolau era 6 de dezembro. No mesmo século, um poema escrito por Clement C. Moore, chamado “Visita da Papai Noel” agregou mais alguns personagens a essa história: trenó puxado por renas e a feição do Papai Noel que conhecemos hoje. Segundo o poeta, ele era um “elfo gordo e bonachão”
A cor da roupa todo mundo sabe de onde veio. Em campanhas veiculadas da 4ª capa da revista National Geografics, a Coca-Cola estampava Papai Noel vestindo vermelho e branco. Até meados da década de 40 a cor do velho Noel era Marrom. Depois disso, o refrigerante foi o responsável por difundir o novo uniforme de Santa Claus.

É esse o Papai Noel que conhecemos hoje. Alvo, pele rosada, em meio de muita neve e bastante roupa. Uma figura que não tem nada a ver com o Brasil. O que pouca gente sabe é que já houve tentativas de “nacionalizar” a figura do natal. Por exemplo, em meados da década 30, escritores brasileiros, na tentativa de criar símbolos que representassem o Brasil criaram o Vovó Índio. O Papai Noel brasileiro moraria na mata e distribuiria presentes.
Uma tentativa um tanto quanto bizarra. Porém, adoraria ver um Papai Noel brasileiro. Sem toda aquela pompa, barba, neve. Tudo aquilo que não combina com a gente. Queria ver um velho pardo de chinelo de dedos, bermuda e camiseta regata listrada, entregando presentes em um Fusca azul alado. Não tem coisas mais irritante do que ver enfeites de natal com os dizeres “Merry christmas”, já que boa parte do povão não sabe nem quem é a Merry, e o muito menos o Christimas.
Começarei desde já a cultivar a minha pança e deixar a barba crescer para conseguir um bico de Papai Noel em 2009. Um dinheirinho a mais para os presentes Natal. Afinal, trazer os presentes qualquer um traz, agora pagar, não tem bom velhinho que o faça.


















