Há duas semanas o Paraná TV, jornal local, denunciou um esquema safado no qual alguns taxistas tinham um chupa-cabra no taxímetro fazendo com que a corrida custasse 30% a mais para os passageiros.
A notícia, é óbvio, causou revolta e desconfiança em todos os usuários e não usuários do sistema de transporte. Apesar de poucos carros terem o modelo de taxímetro que permitia a manipulação, todos estes foram chamados para uma inspeção extra. E poucos apresentaram a adulteração. Nesses, os donos das licenças responderão por estelionato e vão se complicar de verdade.
O ruim é que a malandragem de poucos colocou a confiança de todos em relação a taxistas. Tem gente que insiste e jura de pé junto, não importa onde, que taxista é ladrão e pronto. Que de algum jeito ele vai de roubar, vai dar uma voltinha a mais, pegar o caminho mais longo e te sacanear de algum de alguma maneira.
Todo taxista é pau no cu.
Não, nem todo. Tem uns que são. Em Curitiba, os taxis que trabalham em centrais de rádio normalmente seguem uma dura regra de disciplina. O carro tem que estar limpo, cheiroso (cigarro dentro do carro, nem pensar), bem cuidado. O motorista tem que ser cortês e seguir todas as orientações do passageiro. Motorista que é dedado por infringir alguma dessas regras, ou por alguma cagada do trânsito, ou por qualquer coisa que alguém sinta-se a vontade de ligar para a central e reclamar, pega gancho. É impedido de usar o rádio, ou seja, só pode pegar passageiro que estender o dedo na rua.
Se você pegou um táxi de central e perdeu algo dentro, ligue imediatamente para a central. É muito improvável que o taxista fique com o que é seu. Todas as ligações são registradas e o sistema das centrais sabe o horário em que você embarcou no carro, qual foi o seu trajeto e qual horário que você desembarcou. Assim, por mais desonesto que seja o motorista, fica difícil ele pegar o que é seu, ou dizer que foi o próximo passageiro. Já tive carteira com dinheiro perdida no táxi e ela me foi entregue, no meu endereço comercial, intacta, no dia seguinte.
Motorista de táxi anda devagar para a corrida ser mais cara.
Essa é lenda mais ridícula de todas. O sistema de táxi em quase todas as cidades que usam taxímetro funciona igual: quando em movimento, o taxímetro corre por metro. Quando parado, corre por tempo. O que muda são os valores do metro e tempo para cada cidade. Em Curitiba, a conta é bem simples, na bandeira 1 o quilometro rodado custa R$ 2,00. Na bandeira 2, R$ 2,30. Ou seja, a 10 por hora ou a 100, andar 1 quilometro na bandeira 1 contará mais R$ 2,00 no taxímetro.
O tempo parado é de R$ 20,00 a hora. Ai você vai dizer “por isso que o filho da puta para em todos os sinais vermelhos”. Vamos calcular. Quando o carro para, o taxímetro avança o proporcional a R$ 20,00 a hora. Se uma hora tem 60 minutos, cada minuto parado custa R$ 0,33. Se um sinal vermelho dura em média 30 segundos, podemos dizer que parada forçada no sinal te custaria apenas R$ 0,16.
Quer saber se o motorista está te logrando? Simples. Calcule a distância do trajeto que está fazendo e faça a conta. A formula é simples, o valor da bandeirada (que aqui em Curitiba é de R$ 4,00) mais o valor da distância multiplicada pelo valor do quilometro mais o tempo parado no semáfaros/congestionamento. Com um GPS e uma calculadora você pode conferir o cálculo, ou simular em sites como esse aqui. Simples não?
Não deixe taxista malandro te roubar, mas também dê uma chance ao taxista. Nem todo taxista é pau no cu, só os que trabalham em São Paulo, mas isso já é outra história.











