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O vírus, a paranóia e a saúde pública

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Sabe quando você abre vários jornais diferentes e, em todos, lê notícias sobre assuntos parecidos ou, repetidamente, vê nos telejornais falarem sobre as mesmas coisas, como se só existisse aquela coisa no mundo, aquela única notícia para ser explorada, contada, esmiuçada, recontada e aprofundada? Pode ficar tranqüilo, isso não é impressão e nem coincidência. É uma prática comum usada pela mídia chamada de Agenda-setting, ou Teoria do Agendamento.

Como assim Bial? Vou usar a descrição, simples e direta, que a mãe-virtual-dos-burros traz sobre o assunto: “a mídia determina a pauta (em inglês, agenda) para a opinião pública ao destacar determinados temas e preterir, ofuscar ou ignorar outros tantos.”. Ou seja, a mídia faz com que assunto X ou Y vire moda, tornando determinado assunto o preferido para conversas de bares, telefones, salões de beleza, pontos de ônibus, enfim a mídia pauta o que a opinião pública discute.

Quer um exemplo? Quando o avião da Air France que ia do Rio para Paris caiu, vimos em semanas vários problemas com aviões estamparem as capas de grandes jornais. A impressão que se deu é que era um tempo difícil para se viajar de avião, que algo estava errado, que um perigo iminente estava próximo. Qualquer pouso de emergência, turbulência e falha mecânica era apontada como se fosse um efeito dominó, se um caiu, preparem-se senhores, virão mais e mais.

Mas pergunto a você, querido leitor, antes do Air France Rio Paris cair, será que não aconteciam, ao redor do mundo inteiro, pelo menos um problema técnico ou mecânico com uma aeronave por dia? Com certeza sim. Arrisco dizer que deve ser mais comum que imaginamos. A diferença é que não havia espaço para isso virar notícia. Então, antes da grande catástrofe, um pouso de emergência era só um pouso emergência. Depois do mergulho do Air Bus no Oceano, da mídia mundial colocar isso em destaque, tivemos uma enxurrada de aviões com defeitos, problemas e panes na capa dos jornais e anúncios proféticos de que nunca esteve tão “inseguro” viajar de avião. Claramente, um agendamento.

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Agora vou fazer uma pergunta um pouco mais drástica, entrando em um assunto pantanoso: até o ano passado, você sabia que pessoas morriam de gripe? Sim, de gripe comum. Ainda não falaremos do temido vírus, foquemos antes da pandemia. Nos Estados Unidos, cerca de 36 mil pessoas morrem de gripe comum por ano e no mundo esses números podem alcançar 500 mil pessoas por ano. Bastante né? Mas quem sabia disso antes de começarem a falar da Gripe A, do H1N1?

Calma. Não estou querendo dizer que a Gripe A não existe e não mata. Mata sim e já fez vítimas no mundo inteiro. Porém, estou querendo ir contra o exagero e o caos instaurado na população sem motivo, sem razão. Ou melhor, conspiratórios até apontam um motivo, os lucros da indústria farmacêutica, o que pode até ser verdade, mas não quero entrar nesse mérito. Quero parar um pouco antes: será que já não passamos por coisas piores e nem nos demos conta?

Nos últimos anos, quantas pessoas por dia morreram ou morrem de Dengue no Brasil? Quais foram os esforços para a prevenção? Campanhas publicitárias, visitas de inspetores de saúde, aplicações de veneno, mesmo assim, muita gente morreu. E quantos casos de meningite tivemos? Mortes por desnutrição? Quantos problemas de saúde pública tínhamos mais condições de reverter, de alertar a população e não fizemos? Agora vem me dizer que o mundo tem que parar por causa de uma gripe? Para mim é demais.

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O medo fez com que escolas tivessem a volta as aulas adiadas. Mas será que isso é mesmo necessário e eficaz na prevenção, já que os alunos não deixaram de freqüentar outros lugares públicos? As medidas extremas que podem ser tomadas são o fechamento de cinemas e shoppings. Ou seja, a paranóia ameaça parar a economia, as ruas, a cidade, TUDO. Será que não somos bem maiores que um vírus?

Pra não dizer que sou do contra, estou tomando cuidados básicos. Janelas sempre abertas e procuro lavar as mãos mais vezes ao dia. Mas não deixei de freqüentar cinemas, não comprei álcool gel e não vou usar mascara cirúrgica (me sinto muito Cosplay com aquilo).

Não podemos embarcar na onda do medo, pânico, pavor. Por que se assim fizermos, estaremos dando um passaporte importante para o vírus, uma predisposição psicossomática, dando um aval para o H1N1 chegar e fazer a festa. Manter hábitos simples de higiene, alimentação e, principalmente, tratar o vírus com naturalidade ajudam muito nesses tempos pandemicos.

E se mesmo assim, você não se convenceu e quer ficar encarcerado, dentro de casa, protegido por uma bola borrifada de desinfetante lembre-se que o “inimigo” é microscópico, ninguém sabe exatamente onde está e, aliás, já pode estar com você. Então, se “o estupro é inevitável, relaxa e goza”. Seguimos a vida, cof, athcim! Enquanto ela segue com a gente.

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A Oi sacaneia você, simples assim.

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O Ministério da Justiça resolveu descruzar os braços e tomar uma atitude contra o desrespeito aos consumidores: cobrar multas milionárias das operadoras de telefonia que não cumprem as regras estabelecidas pela ANATEL. O valor se aproxima a R$ 300 milhões.

Particularmente, recebi essa noticia com um tom de vingança, sorri de orelha a orelha. Há 12 dias estou sem celular. Culpa da Oi. A operadora que tem slogans que enaltecem seus clientes, dizendo que lá você só fica por que gosta, pisou na bola bonito e tem me rendido muita dor de cabeça.

No dia de 10 julho, estava decidido a aproveitar uma promoção da TIM, em que eu pagaria uma conta de 130 reais por mês, e teria um plano de voz excelente, conexão 3G ilimitada e ainda ganharia, sem desembolsar nenhum trocado, um Nokia 5800, simples assim. Porém, estava amarrado a Brasil Telecom, com um plano de fidelidade que suga a sua alma.

Liguei para o Call Center da operadora, disposto a ter muita paciência. Então, perguntei quanto era a minha carta de alforria. 178 reais, disse o operador. Não era muito. Mas antes de concluir e eu dizer obrigado e passe bem, o operador me fez uma oferta interessante: mudar para a Oi, sem pagar a multa. Ganhar uma algumas vantagens interessantes e poder sair quando quiser.

Perfeito, pensei. Doce engano. Desde então uma sucessão de erros e aborrecimentos fizeram-me incomunicável. No dia 15 chegou em meu endereço meu contrato e chip Oi, processo comum da migração. Meu papel era por o novo chip no aparelho, ligar para um asterisco qualquer coisa e ativar o aparelho. Não deu certo.

Fui a uma loja, onde os incompetentes vendedores se quer tem um sistema para trabalhar. Ou seja, nas lojas Oi em Curitiba você assiste os funcionários da operadora a ligarem para o Call Center, o mesmo número que você discaria de casa. O que na prática, não ajuda em nada.

Deram-me um 0800 para que eu ligasse, informasse o número do chip e aguardasse 72 horas para que o processo de migração fosse concluído. Meu chip Brasil Telecom parou de funcionar no mesmo dia (16) mas Oi, até o momento (noite do dia 28)  não começou a funcionar.

Se ligo para a 105 3, atendimento da BrTelecom, afirmam que minha migração foi concluída com êxito e, desde então, sou um cliente Oi. Se ligo para o 105 7 da Oi, alegam que eu não sou um cliente da operadora. Ou seja, entrei no limbo, em uma falha da Matrix e maldito nenhum de uniforme laranja sabe me diz porque e quando terei meu telefone de volta.

Minha reclamação na ANATEL não tinha sido respondida até esta tarde, hoje era prazo final para a Oi entrar em contato com eles e dar uma posição sobre a falha. Porém, pelo jeito, nada foi feito. Em uma loja, chegaram a me constranger, pois no auge da irritação aumentei o tom de voz, o que fez com que 4 armários seguranças viessem me rodear.

O que me resta é tomar todas as medidas legais que eu puder (PROCON, Juizado de Pequenas Causas) e espalhar para o maior número de pessoas o quão incompetente essa operadora é. Então, antes de querer ser um ligador, antes de achar que na Oi você pode alguma coisa. Desista. Eles se quer funcionam, simples assim.

Em breve, mostrarei ao mundo a ira de um consumidor aborrecido. Sem medo de processos ou retalhações, vou tentar viralizar a mensagem de que na Oi, não dá para ficar. Digam tchau enquanto há tempo.

UPDATE (05/08/2009): Hoje, depois de 20 dias de espara e muita dor de cabeça, religaram meu chip Brasil Telecom. Ou seja, a migração para a Oi não foi concluída. Para conseguir uma resposta, tive que falar melhor e mais alto que vários vendedores, ameaçar me amarrar a loja e só sair quando resolvessem. Dei uma de louco, atrapalhei vendas, sai xingando, gritando e afirmando que a Oi não presta. Por isso, se for comprar uma linha fixa ou móvel. Não esqueça! Oi, não. Aproveite e entre nesse blog o diga tchau pra oi, site alimentado de notícias sobre banda larga e telefonia. Diga tchau pra oi.  O BLOG NÃO É MEU!

UPDATE (10/08/2009): No dia 7 de agosto o meu número novamente parou de funcionar. Segundo a Oi, um erro de titularidade aconteceu. ELES VENDERAM MEU NÚMERO PARA OUTRA PESSOA. Isso mesmo. A operadora, em vez de portar no número da Brasil Telecom para a Oi vendeu meu número para outro cliente. Como é que eles podem ser tão incompetentes assim? Como? Não dá para entender uma coisa dessas.

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Muito além da sala de aula

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Para quem não sabe, moro em um bairro considerado periferia de Curitiba. Fica a 11 quilômetros do Centro e 17 de onde trabalho. Como não tenho carro, vou de ônibus. O que resulta em mais de uma hora dentro dos coletivos lotados. Nesse caso, ler é um ótimo passatempo.

Readquiri o hábito de ler no ônibus. Mas estava em uma época complicada, fui acometido de uma síndrome que apelidei de Síndrome do meio da história. Comecei vários livros: Os Segredos dos Roteiros da Disney de Jason Surrel, Peixe Grande de Daniel Wallace, um livro de contos de Fitzgerald, O Retrato de Dorian Gray e até mesmo o segundo livro da saga de Harry Potter. Todos, parei da metade para trás. Não dava seqüência, não me prendia nas histórias.

Eis que O Clube do Filme, de David Glimour, mudou essa situação. Concentrando no livro, quase perdi o ponto para descer, várias e várias vezes. Torcia para que o ônibus demorasse, ficasse preso em semáforos fechados e congestionamentos só para não perder o pique, ler mais e mais páginas. O livro, autobiográfico, conta a história da Gilmour, um crítico de cinema cinquentão, e seu filho Jesse, um adolescente de 15 anos.

Jesse vai mal nos estudos e acha que ir para a aula é um verdadeiro martírio. Seu pai vê essa situação e não se conforma com o “sofrimento” do filho. Então, faz a ele uma proposta indecorosa: não precisar mais ir a escola, desde que assista 3 filmes por semana com o ele. O menino não hesita, aceita na hora. Ou seja, Glimour propôs para seu filho receber educação exclusivamente pelos filmes. Simples assim.

E se Gilmour e Jesse tiverem razão? Será mesmo que nosso modelo de ensino é tão bom assim? Será que a escola ensina como pensar ou impõem coisas em que você tem que pensar?

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Até hoje, me pergunto porque aprendi a calcular um determinante, porque tive que saber que os metais alcalinos terrosos são lítio (Li), sódio (Na), potássio (K), rubídio (Rb), césio (Cs) e frâncio (Fr) e ficam no período 1A da tabela periódica de elementos e que, para lembrar-se deles, basta seguir o macete “Li Na Kapricho, Rubinho Casou-se na França”.

Não, não tive nenhuma dificuldade com tudo isso, pelo contrário, sempre fiz o tipo de aluno exemplar, que ouve tudo que o professor fala, entende e destrói na hora da prova. Mas pra que provas? Eu tenho que provar que aprendi? Por quê?

Será que é necessário um professor, que trata centenas de alunos de maneira roboticamente igual, chamando-os por número para ticar sua presença e avaliando se eles, de fato, compreenderam as coisas que têm que saber?

E se assistimos a Lista de Shindler, O Pianista e O Resgate de Soldado Ryan, não daríamos muito mais vida a aula de história que conta como o mundo entrou em guerra pela segunda vez? National Geographics e Discovery Channel não dão de 10 em algumas aulas de biologia? Jogar Banco Imobiliário não e uma ótima forma de estimular o raciocínio matemático?

Muito do que aprendemos não está nas apostilas, na decoreba, nos macetes que os tocadores de violão, digo, professores de cursinho falam. Está na vivência, convivência e na bagagem cultural adquirida. Nos livros lidos, filmes vistos, músicas, revistas, cenas, noticiários e até blogs lidos. A figura do professor, às vezes, não é fundamental.

Claro que ela também não dispensável. Não estou dizendo para que todos nós deixemos os estudos de lado e fiquemos por ai, fazendo o que dá na telha. O que afirmo é que, há muito tempo, o ensino é uma coisa imposta. O professor vomita um conteúdo que, às vezes, nem ele entende, de uma maneira nada didática, sem envolver o aluno, explicar para que aquilo serve, de onde veio e para o que será útil no futuro. E isso, é desde o ensino básico até os cursos superiores.

Talvez, o aprendizado tenha que ser como no Clube do Filme, sem nenhum tipo de regra, norma ou rigidez. Oriunda de uma fonte de entretenimento, mas ainda sim com muito conteúdo. Que não haja provas e nem chamada. Que a presença não se seja obrigatória, mas sim voluntária. E, principalmente, que o diploma que se ganhe de o título de “ser pensante” antes de qualquer outro cargo.

Para quem ficou curioso sobre o livro, clique aqui e confira onde encontra O Clube do Filme.

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muitobemacompanhado.com

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O assunto mais chato abordado em encontros de blogs e redes sociais é a briga jornalistas x blogueiros. É uma daquelas discussões sem fim, sem propósitos e sem conclusões, que podem até levantar polêmica, mas nunca chegam a lugar nenhum.

Porém, nos últimos tempos vimos um quadro extremamente curioso: a apropriação de recursos da Internet, redes sociais e das ditas novas mídias, pela mídia tradicional.

Como assim? O Jornal Hoje, a SBT, a Band e qualquer programa de TV, agora, tem twitter. Isso não quer dizer que eles utilizem a ferramenta da maneira correta, porém, estão se esforçado para tentar pegar carona nesta brincadeira. Ou, o que é pior ainda, já que o assunto virou modinha, estão querendo pagar de moderninhos. Mas que é curioso um jornal parar suas notícias para o apresentador mostrar, em tempo real, as atualizações do twitter, isto é. Além das insistentes tentativas furadas de interação, como “mande seu vídeo constrangendor para colocarmos em rede nacional.”

Talvez isso explique a chegada de membros como Luiciano Hulk e outras figuras que estão trazendo o ranço das mídias de massa para o cyberespaço do Twitter. O apresentador do Caldeirão está sorteando presentes de acordo com o número de seguidores, ou se as pessoas conseguirem colocar determinados assuntos no Trending Tropics, lista de palavras chaves mais discutidas no Twitter. Falta ao Hulk e companhia entender que no Twitter a audiência não é quantitativa como na mídia de massa, mas sim, qualitativa. E graça da brincadeira está nisso.

Pior que se misturar na onda, mesmo que de maneira esdrúxula, é ir contra ela. Tentar jogar pedra no telhado dos outros e abordar assuntos sem se aprofundar, como a edicação da Revista Veja desta semana (08 de julho de 2009). A matéria de capa traz o título “Sozinhos.com” e mostra, segundo eles, a superficialidade das relações construídas através das redes sociais. Ela sugere que as pessoas perdem muito tempo na Internet e deixam de viver relações de verdade e que alguns profiles tem milhares de amigos adicionados, mas quase nenhum é uma amizade de fato.

Essa visão é tão ultrapassada que chega a irritar. Quem escreveu a matéria, acha que só por que a pessoa passar 16, 18 horas conectado à Internet, sua vida se resume a isso e que as relações criadas nesse meio não podem vir a se tornarem reais. Quem usa o Twitter, Orkut, Instant Messenger e outras ferramantas de interação, de uma forma inteligente, sabe que é bem diferente disso.

Aqui em Curitiba fundamos um grupo de blogueiros. Ou seja, diversas pessoas se conheceram por causa de um interesse em comum, os blogs. Dessa relação nasceram muitas amizades e até mesmo um casamento. Ligações que começaram em um espaço virtual e partiram para o campo do real.

Da mesma forma que, quando viajei para outras cidades para participar de eventos, pude conhecer pessoas que só tinha contato pela Internet. O oposto também já aconteceu, passei o último Ano Novo junto com amigos de São Paulo que combinaram a viagem pelo Twitter.

Dizer que os usuários estão sozinhos é ignorar a networking que uma rede social pode trazer. Contatos que podem a virar relações pessoais, afetivas, amorosas e profissionais, facilitadas por ferramentas de comunicação que transpõem barreiras espaciais e agrupam pessoas de acordo com seu interesse. Quer um jeito fácil de achar pessoas do mesmo nicho que você? Nada melhor que buscar isso em uma rede social. A partir daí, trocar experiências, informações e estreitar uma amizade.

Se estivéssemos sozinhos, por exemplo, não teria conseguido trazer pessoas, via Twitter, para ler este texto. Não estaria planejando viagens a São Paulo para participar de encontros de blogueiros e feiras de tecnologia. Não planejaria locais interessantes para nossos encontros de sexta-feira, ou qualquer dia da semana que der na telha. Não saberia tanto sobre pessoas que vi uma vez na vida, mas já conversei sobre assuntos que pessoas que vejo todos os dias nunca saberão.

Cabe ao jornalista Diogo Schelp, autor da matéria, procurar estudos de especialistas em cibercultura, analistas de redes sociais, entrevistar uma série de perfis e participar de encontros, como os #ebcs e #nobs, para aprofundar sua matéria sobre as relações entre usuários de redes sociais. E o mais importante: quebrar o preconceito de quem considera que quem usa essas tecnologias são nerds anti-sociais, que são sozinhos no mundo e preferem trocar o contato físico por uma lista de contatos.

Para compreender os segredos das redes sociais, em primeiro lugar, a velha mídia tem que deixar é de ser velha.

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#chupa e o poder do Twitter.

#chupa_ashton_kutcher

foto enviada pelo @twittando

A final da Copa das Confederações trouxe várias surpresas. A primeira foi a classificação do time do Tio Sam, que até então nunca tinha tido sucesso com a bola nos pés, e chegara a final depois de eliminar a Espanha, favorita absoluta. A segunda, que nem é uma surpresa tão grande assim, é que o time de Dunga, Ramirez (quem é Ramirez mesmo?) e companhia limitada vai ter que camelar muito se quiser ganhar alguma coisa sem sofrer. O resultado? Uma virada difícil, 3 a 2, com um gol de salvador de Lúcio.

Porém, o fato mais curioso não acontecia na África do Sul
, palco da final, mas sim nos Estados Unidos. Enquanto o time americano vencia por 2 a 0, Ashton Kutcher, “ator” cômico de filmes escrotos como Cara cadê meu carro? e A Família da Noiva (não sei qual é pior), famoso no Twitter pela campanha para angariar 1 milhão de seguidores antes da CNN (a @twittess deve ter um pôster dele no quarto, certeza!) tentou tirar um sarrinho com os brazucas. Munido da ausência de cérebro e um senso de humor bem duvidoso, provado pelas suas atuações em séries e filmes, escreveu uma piadinha infame, colou no google translator e twittou. O resultado foi esse:

#chupa

O “chupa-lo” da tradução automática mexeu com o brio dos brasileiros que não perdoaram o ator. A virada aconteceu, o Brasil foi campeão e no fim das contas quem chupou foi ele. Todas as arrobas indignadas mandaram reply para ele e criaram uma espécie de movimento para todos postassem a palavra “#chupa”. O resultado foi que em pouco tempo a tag alcançou o primeiro lugar no Tranding Topics, passando assuntos como a morte de Michael Jackson, o golpe militar em Honduras e as Eleições Iranianas.

chupa_primeiro_tranding_topics

A brincadeira foi desfeita pelo twitter, talvez pelo conteúdo ofensivo da tag. Mas deixou clara a força brasileira na ferramenta de microblog. Porém, como alguns usuários lembraram, essa força devastadora, mais manipuladora que Antonio Tabet, (esse sim chupa mais que todo mundo) poderia ser utilizada para propósitos mais úteis. Por exemplo, na sexta passada, os twitteiros foram convidados a demonstrar sua indignação e postar “#forasarney”. A tag acumulou bons números, mas o resultado foi incomparável ao #chupa depois da final da Copa das Confederações.

O que leva a crer que das duas uma: ou o twitter é um espaço onde o povo prefere fazer manifestações um pouco mais funnys, descomprometidas com a realidade. Ou, que todo mundo já cansou de se indignar com as patacoadas dos parlamentares e está pouco se fodendo para o #forasarney.

Fica portando a duas lições: uma, digna de moral de Fábula de Esopo ou final de desenho do He-man, explicando que nunca se conta vitória antes do tempo, principalmente se você fizer isso utilizando uma ferramenta de tradução. E a outra é temos uma importante arma em nossas mãos e que, se soubermos usa-la, poderemos ser ouvidos por muita, mas muita gente.

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