
Há muito tempo, Charles Chaplin escreveu um texto chamado “Ciclo da Vida”. Nele, o grande mestre mostrou como a vida é injusta em seu curso normal: deveríamos nascer velhos, trabalharmos, curtir a adolescência, virar criança e terminar a vida com um fantástico orgasmo.
David Fincher, diretor de Vidas em Jogo, Seven e Clube da Luta, trouxe para as telonas a adaptação do conto Francis Scott Fitzgerald, O Curioso Caso de Benjamin Button. O filme, que conta com o mesmo roteirista de Forrest Gump, é sem dúvida um dos melhores filmes do ano e tem grandes chances de sair da noite do Oscar com muitas estatuetas.
Daisy (Cate Blanchett) está de cama em seus últimos suspiros. Ela pede para Caroline (Julia Ormond), sua filha, ler um livro que estava guardado em sua bolsa. O livro revela o diário da vida de Benjamin Button, um homem que nasceu parecendo um idoso de 80 anos, com a pele enrugada e ossos gastos. Enquanto crescia, rejuvenescia, fazendo o caminho contrário de todas as outras pessoas. Aos poucos, Caroline descobre que a história de Benjamin Button está mais ligada a de sua mãe e a dela, do que ela imaginava.
No filme, outra analogia sobre o tempo é exposta de uma maneira primorosa. Uma das primeiras falas de Daisy, conta a história de homem cego que construía relógios, na época da Primeira Guerra Mundial. O relojoeiro teve seu filho convocado para guerra e, enquanto não tinha noticias, trabalhava arduamente em um relógio para uma estação de trem. Infelizmente, o filho do relojoeiro morreu em combate, causando um grande desconforto para a família. Porém, ele continuou trabalhando em seu projeto. No dia da inauguração, todos levaram um grande susto: o relojoeiro tinha construído uma peça que andava ao contrário. Sua intenção era que o tempo voltasse e trouxesse com ele todos os mortos e desaparecidos da guerra.

A vida de Benjamin Button reserva grandes emoções. Em vários momentos lembrei de Forrest Gump e seus feitos fantásticos. Porém, apesar da semelhança o estilo de narrativa é diferente.

Brad Pitt dá show. Quando maquiado para parecer velho, parece mesmo ter uma idade mais avançada, até virar um garotão jovial para todas as moçoilas babarem. Vale lembrar que ele e Fincher, o diretor, já trabalharam em outros dois grandes filmes: Seven e Clube da Luta. O que faz provar que a mistura dá certo, e muito certo.
O Curioso Caso de Benjamin Button é, por enquanto, o concorrente mais forte para erguer o mulequinho de ouro, na grande noite do Oscar. Quem quiser conferir, basta esperar o dia 16 de janeiro, data de estréia do longa nas telonas.
Nota: 9/10



2 Comentários
Bruno, parabéns pelo teu blog, nao conhecia ele, encontrei a poucos minutos e gostei bastante dos teus textos!
E esse filme acho q vai ser animal mesmo!
Grande abraço,
Fabiano
Assisti ontem à pré-estreia e saí do cinema fascinada! Como vc disse, em váriossss momento a narrativa lembra Forest Gump (o balão amarelo subindo com o vento, exatamente como e peninha que voa em Forest), mas tomam rumos diferentes e aos poucos, você vai se envolvendo: dá até raiva qdo Ormond pára de ler o diario de Benjamim, e a vontade é de pular no percoço dela pra que termine de vez a estoria! Num contexto geral, me agradou muito o roteiro, os atores dão show, a maquiagem é perfeita! Com certeza absoluta digo: com menos de 3 bonequinhos dourados ele não vai pra casa!