
2009 começou. O ano novo entrou dando uma voadora com os dois pés na porta e está aí. Porém, nunca foi tão comentando, especulado, falado e desmentido que será um ano difícil.
As peças publicitárias de instituições financeiras tentam pregar otimismo e solidez. As entrevistas de autoridades, sejam elas de qual grau forem, enfatizam que a crise será vencida, não será sentida, não atrapalhará, não existirá, será domada, morta, estuprada e ninguém verá diferença nenhuma no dia-a-dia.
“A crise não atravessou o Atlântico.”
Luis Inácio Lula da Silva – Presidente do Brasil
Tentando salvar a economia, acabando com a geografia.
Mas, quando o relógio denunciou a virada do ano pensei que era chagada uma importante hora: a primeira vez em que passarei por uma crise financeira. Sim, leitores, minha pouca idade, que não revelo para não perderem o respeito com este pseudo-escritor, faz com que alguns acontecimentos sejam meras lembranças, coisas que não sofri de fato, apenas acompanhei.

Lembro do tempo que todos dias no mercado o preço de tudo era diferente, era demarcado pela maquininha de colar preço que tinha um barulho irritante. O que hoje custava x, amanhã podia custar 4x, então todos recebiam e corriam comprar tudo. Maldita inflação.
Recordo também das eternas mudanças de moedas, e das notas de 500.000 cruzeiros. Exato, era bizarro ver como o valor das coisas disparava, voltava, ganhava e perdia zeros da noite para o dia. Notas carimbadas, moedas que valiam muito, mas na verdade não valiam nada e uma série de mudanças e conversões. Cruzeiro Real, URV, até que o Real do FHC parou com essa putaria e desde que me entendo por gente a moeda é a mesma.
Mas nesse tempo eu não dava a mínima para tudo isso. No máximo queria saber quanto custava o envelope de figurinhas do álbum do campeonato brasileiro ou um gibi do Chico Bento.

Teve uma época, que antes de ir para escola, tomava café assistindo o Bom Dia Brasil. E, volta e meia, a merda que dava lá do outro lado do mundo, refletia aqui nos cofres do Brasil. Quando os Tigres Asiáticos chacoalharam, chacoalhamos aqui também. O mesmo aconteceu com a Rússia, e outros países. E aí, sempre víamos o Brasil pedir socorro, empréstimos ao FMI e dinheiro para o cunhado. Ainda levamos sustos com o estouro da bolha da Internet, quando muita gente se deu mal, apostando grana alta em ações de empresas da grande rede. E enquanto tudo isso acontecia, a única coisa que eu sabia era quanto custava um CD novo.
Agora em 2009 tenho minhas próprias contas, planos, salários, impostos e tudo mais. Portanto, será a primeira vez que meu pobre bolso sentirá as mordidas dessa suposta recessão. Na prática, não sei o que tanto muda. Mas todo esse alarde e otimismo, tentando vender que ninguém precisa ter medo é o que mais me amedronta. Afinal, se estivesse tudo certo, sem nenhum problema, ninguém tocaria no assunto. É como tapear criança na fila da vacina dizendo que não vai doer nada. Que nossos bolsos não doam no ano que está começando. Feliz Ano da Crise para todo mundo.



1 Comentário
Eu tento manter o otimismo, mas confesso que 2009 me preocupa. O Brasil talvez não sinta os efeitos da crise tanto quanto outros países, mas não vai sair ileso (e não está saindo). Mas venha o que vier. Enfrentar vai ser a nossa única opção mesmo…
Abraços!