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O assunto mais chato abordado em encontros de blogs e redes sociais é a briga jornalistas x blogueiros. É uma daquelas discussões sem fim, sem propósitos e sem conclusões, que podem até levantar polêmica, mas nunca chegam a lugar nenhum.

Porém, nos últimos tempos vimos um quadro extremamente curioso: a apropriação de recursos da Internet, redes sociais e das ditas novas mídias, pela mídia tradicional.

Como assim? O Jornal Hoje, a SBT, a Band e qualquer programa de TV, agora, tem twitter. Isso não quer dizer que eles utilizem a ferramenta da maneira correta, porém, estão se esforçado para tentar pegar carona nesta brincadeira. Ou, o que é pior ainda, já que o assunto virou modinha, estão querendo pagar de moderninhos. Mas que é curioso um jornal parar suas notícias para o apresentador mostrar, em tempo real, as atualizações do twitter, isto é. Além das insistentes tentativas furadas de interação, como “mande seu vídeo constrangendor para colocarmos em rede nacional.”

Talvez isso explique a chegada de membros como Luiciano Hulk e outras figuras que estão trazendo o ranço das mídias de massa para o cyberespaço do Twitter. O apresentador do Caldeirão está sorteando presentes de acordo com o número de seguidores, ou se as pessoas conseguirem colocar determinados assuntos no Trending Tropics, lista de palavras chaves mais discutidas no Twitter. Falta ao Hulk e companhia entender que no Twitter a audiência não é quantitativa como na mídia de massa, mas sim, qualitativa. E graça da brincadeira está nisso.

Pior que se misturar na onda, mesmo que de maneira esdrúxula, é ir contra ela. Tentar jogar pedra no telhado dos outros e abordar assuntos sem se aprofundar, como a edicação da Revista Veja desta semana (08 de julho de 2009). A matéria de capa traz o título “Sozinhos.com” e mostra, segundo eles, a superficialidade das relações construídas através das redes sociais. Ela sugere que as pessoas perdem muito tempo na Internet e deixam de viver relações de verdade e que alguns profiles tem milhares de amigos adicionados, mas quase nenhum é uma amizade de fato.

Essa visão é tão ultrapassada que chega a irritar. Quem escreveu a matéria, acha que só por que a pessoa passar 16, 18 horas conectado à Internet, sua vida se resume a isso e que as relações criadas nesse meio não podem vir a se tornarem reais. Quem usa o Twitter, Orkut, Instant Messenger e outras ferramantas de interação, de uma forma inteligente, sabe que é bem diferente disso.

Aqui em Curitiba fundamos um grupo de blogueiros. Ou seja, diversas pessoas se conheceram por causa de um interesse em comum, os blogs. Dessa relação nasceram muitas amizades e até mesmo um casamento. Ligações que começaram em um espaço virtual e partiram para o campo do real.

Da mesma forma que, quando viajei para outras cidades para participar de eventos, pude conhecer pessoas que só tinha contato pela Internet. O oposto também já aconteceu, passei o último Ano Novo junto com amigos de São Paulo que combinaram a viagem pelo Twitter.

Dizer que os usuários estão sozinhos é ignorar a networking que uma rede social pode trazer. Contatos que podem a virar relações pessoais, afetivas, amorosas e profissionais, facilitadas por ferramentas de comunicação que transpõem barreiras espaciais e agrupam pessoas de acordo com seu interesse. Quer um jeito fácil de achar pessoas do mesmo nicho que você? Nada melhor que buscar isso em uma rede social. A partir daí, trocar experiências, informações e estreitar uma amizade.

Se estivéssemos sozinhos, por exemplo, não teria conseguido trazer pessoas, via Twitter, para ler este texto. Não estaria planejando viagens a São Paulo para participar de encontros de blogueiros e feiras de tecnologia. Não planejaria locais interessantes para nossos encontros de sexta-feira, ou qualquer dia da semana que der na telha. Não saberia tanto sobre pessoas que vi uma vez na vida, mas já conversei sobre assuntos que pessoas que vejo todos os dias nunca saberão.

Cabe ao jornalista Diogo Schelp, autor da matéria, procurar estudos de especialistas em cibercultura, analistas de redes sociais, entrevistar uma série de perfis e participar de encontros, como os #ebcs e #nobs, para aprofundar sua matéria sobre as relações entre usuários de redes sociais. E o mais importante: quebrar o preconceito de quem considera que quem usa essas tecnologias são nerds anti-sociais, que são sozinhos no mundo e preferem trocar o contato físico por uma lista de contatos.

Para compreender os segredos das redes sociais, em primeiro lugar, a velha mídia tem que deixar é de ser velha.

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10 Comentários

  1. Nilson

    Você está corretíssimo, e não me surpreende a veja escrever dessa forma, afinal, ela é da “velha guarda” e pra eles é difícil entender essa nova forma de se comunicar.
    PS: Se vc não fala da veja eu não sabia que ela ainda existia, parei de ler revistas há tempos…
    abraço

  2. Fui ler a matéria e me deparei com um discurso de uns 10 anos ou mais, qdo eu comecei a pesquisar cibercultura, com os apocalípticos dizendo que “todos ficariam isolados”.. só pq eles nao compreendem a lógica das redes, preferem apostar em um preconceito ridículo.. argh., blé pra veja

  3. Mandou bem, como sempre.
    Adorei o texto, crítica bem fundamentada.
    Sozinhos? Tsc, tsc.
    Estamos muito bem acompanhados, isso sim. Quer uma prova? Ter te conhecido! =)
    Beijos,
    @bellabrendler

  4. Felipe Klos

    Cara, parabéns pelo blog! está em minha lista de blogs favoritos. Muito bom a visão que você tem sobre a Internet, me identifico muito com ela.

    Abraços
    Felipe Klos

  5. Muito bom!
    hj mesmo escrevi um texto com esse tema.
    É isso aí…blogs e afins no poder!!!
    bj

  6. Israel Barros

    “…quem usa essas tecnologias são nerds anti-sociais, que são sozinhos no mundo e preferem trocar o contato físico por uma lista de contatos”.

    JURA que você mudou tanto assim, Brunão?

    hahahahaha…

    Abraaaaço!

  7. É isso aí Bruno.
    Os tempos mudaram e a forma de relação entre as pessoas tb. A internet está mto longe de ser um “local” solitário.

    Bjss

  8. Muito bom, apoiadíssimo! Eu sempre falo isso pras pessoas e elas me tomam como louca. Eu mesma trabalho em casa com internet atualmente e nem por isso deixo de ver pessoas de verdade e ter relacionamentos de verdade. Aliás, a internet sempre foi um facilitador dessas relações.

  9. N

    Tanto o texto da Veja como seu estão certos.
    Existe de tudo. Vcs se acham muito os “donos do pedaço”.

  10. sou grata a internet sou dona de casa , so atraves da mesma fico sempre atualizada pois nao tenho muitas opcoes de de comunicacao e ao mesmo tempo converso com varias pessoas amigas e faco novas amizades e troco varias experiencias e assuntos . tem lugar pra todos os orgaos de comunicacao basta fazer um servico bem feito

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