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Ele não é mais necessário, mas nem por isso, perdeu o valor.

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Ontem, uma decisão do STF rendeu muita discussão para os que trabalham, estudam ou estão ligados a área de comunicação: a partir de agora não é mais necessário ter diploma de jornalista para exercer a profissão.

A notícia caiu como uma bomba em muitas redações e universidades. Indignados, muitos jornalistas e acadêmicos declararam que isso era um desrespeito, uma desvalorização da profissão e ao diploma de jornalismo, muitos inclusive disseram que, agora, seus canudos não têm mais valor algum. Outros afirmaram que com a mudança qualquer analfabeto poderá trabalhar em uma redação e que qualquer pessoa que esteja a fim de se intitular “jornalista”, poderá fazer isso.

Porém, se olharmos bem a fundo, não é bem assim. Ninguém disse que a partir de agora aceitarão profissionais medíocres, sem formação ou sem preparo na redação dos grandes jornais. Ninguém disse que os cursos de jornalismo perderam seu valor, ou que suas aulas e ensinamentos não valem mais nada. A única coisa que aconteceu é que deixou de ser exigido um diploma.

Já pararam para contar quantas faculdades, universidade e cursos superiores existem por ai? Quem garante a qualidade de todas elas? Muitas, não são se quer reconhecidas pelo Ministério da Educação e Cultura, mas, todo ano, abrem mais e mais turmas, garantindo uma formação duvidosa a alunos que saem com diplomas, mas com um preparo bastante questionável.

E mesmo nas universidades bem conceituadas, onde são de fato passados valores, conceitos e vivencias de mercado, muitos alunos se formam “por acidente”, pois passaram todos os anos da faculdade brincando de turistas e não absorveram metade dos conhecimentos passados. Mesmo assim, eles saem com o mesmo título que o melhor aluno da sala: ganham um diploma.

Diploma este que não é exigido para muitas áreas, de igual importância e valor. Eu, como publicitário por formação e ofício, não me incomodo nenhum um pouco que de não exigirem meu diploma (recém conquistado). Pelo contrário, os melhores publicitários com quem trabalhei são da velha guarda, do tempo que o curso de Publicidade e Propaganda se quer existia. Logo, exigir a formação de um publicitário é uma grande utopia. E mais ainda, existem agências ao redor do mundo que preferem os não publicitários. Colocam no quadro de funcionários, psicólogos, antropólogos, sociólogos e diversos outros profissionais, na tentativa de entender melhor o público alvo de seus clientes, interessante, não?

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Será que um técnico em informática não teria muito mais respaldo e autoridade para escrever uma matéria de sua área? Um atleta falando sobre seu esporte? Um nutricionista sobre tratamentos contra obesidade? Talvez. Será que o jornalista tem que ser aquele cara que decorou todas as teorias da comunicação e tirou dez em todas as provas de teoria do jornalismo? Acho que não.

A não exigência do diploma para exercer o cargo de jornalista não diminui a profissão e tão pouco coloca em xeque a credibilidade dos jornalistas. Não é porque o diploma não é mais obrigatório que não é necessária formação aos aspirante a jornalista. Extinguiu-se apenas uma formalidade, uma barreira que não filtrava nada.

Com diploma, ou sem diploma, sempre haverá espaço para os bons profissionais, ter medo dessa mudança só demonstra o receio e a insegurança dos que não confiam em seu trabalho.

Para finalizar, tenho a certeza que a partir de agora não é todo mundo que poderá ser jornalista, mas sim aqueles que forem considerados competentes para isso.

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5 comentários to “Ele não é mais necessário, mas nem por isso, perdeu o valor.”

  1. Priscila Says:

    Fiquei totalmente surpresa hoje: tinha acabado de decidir o que fazer da vida e simplesmente do nada “não é preciso mais ganhar um diploma pra exercer tal profissão”, putz. É como se a faculdade que eu tinha escolhido não valesse mais nada..fosse simplesmente inútil. Concordo contigo, mas voltei ao início…

  2. [...] culturais. É bem fácil ao leitor e ao falante de português entender, salvo alguma peculiaridadeJornaslista não precisa mais ter diploma – Mas não é por isso que ele não precisa ter formaçãoDiploma – Não confunda jornalista com [...]

  3. Bruno Mendonça Says:

    Priscila,

    Acabei de me formar em Publicidade e Propaganda, meu diploma não me garante nada, o emprego que tenho conquistei por outros méritos. Além disso, concordo que muito do que aprendi de fato para exercer minha profissão, foi nas agências e não na academia. Porém, não podemos simplesmente dizer cursar uma faculdade/universidade é inútil, só que por que o seu diploma não é prérequisito para conquistar um emprego. Conhecimento nunca é de mais e a bagagem cultural que você adiquire em um curso superior (por pior que seja) é muito grande. Fora a networking, pessoas que você conhece, descobre áreas de pesquisa que você nunca ouviu falar. Enfim, a faculdade não é inútil. Agora, ela deixa de ser uma obrigação e passa a ser um diferencial.

    Obrigado pelo comentário,
    Volte sempre.

  4. Apesar de já ter discutido isso com você, Bruno, vou repetir aqui a questão mais simples.
    Mesmo que um nutricionista, um economista etc escreva para um jornal ou revista, o que já acontece demais, ele não precisa levar o nome de JORNALISTA por isso.
    É apenas um nutricionista falando sobre seus conhecimentos nutricionais. Simples.
    Não é o impedir de exercer o ‘jornalismo’ (no sentido de escrever), é o nome que se dá.
    Até porque, com a atual regra, se não me falou a fonte, pra você se regulamentar como jornalista você não precisa de absolutamente NADA. Nem provar que você sabe escrever.

    BeijoBeijo Loirinho :*

  5. olar bruno! primeiro devo dizer que vc foi uma das melhores dicas que alcancei no monacast até agora..

    agora vamos ao tema do post, sou estudante da graduação em pedagogia, estudo numa faculdade de peso o que vai me proporcionar no minimo um diploma reconhecido, mas nem por isso todo o arcabouço que minha profissão exige… O que pretendo com isso? simples a universidade não ensina o que o profissional deve ser (mas isso não a faz inutil), mas sem a graduação não teria acesso a varios conceitos e teorias que respaldam a prática…

    A uma coisa interessante que ouvi sobre a profissão de jornalista nesses dias é que no EUA ela é tida como especialização, fiquei pensando nisso…primeiro as pessoas escolhem sobre o que querem comunicar e depois desenvolvem as tecnicas de cominicação, (não estou desmerecendo os profissionais do jornalismo de nosso pais , longe de mim) estou tentando dizer que não é uma mudança apocaliptica, é só uma mudança… e as mudanças geralmente acabam sendo o que fazemos delas ..

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