O amigo @japajapeta falou e disse, no meu tempo o ENEM não servia para nada. Nada mesmo. Lembro que no ano que fiz eram 63 questões e uma redação, não tinha divisão de matérias e o resultado servia apenas para avaliar se o Ensino era bom ou ruim.

Meses depois recebi uma cartinha com meu score. Tinha errado apenas 9 questões e o único quesito da redação em que fiquei abaixo da média nacional era um chamado “respeita os direitos humanos na hora de desenvolver o texto”, pelo simples fato de eu ter sido a favor da criação de um órgão que punisse jornalistas que publicassem informações inverídicas. O tema era  “Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?”. E juro que não sei se mudei de opinião até hoje. Veja a prova.

E ai os tempos mudaram. Depois da criação do ProUni, tentaram atribuir ao ENEM a condição de qualificar quem está apto e ganhar tal bolsa em tal e instituição e, ainda pior, tentaram fazer dele um “Vestibularzão” nacional, fazendo com que algumas instituições abdicassem de seus processos seletivos para utilizar esse, endossado pelo MEC.

Lindo né? Deu errado. No ano passado, o primeiro do “Novo ENEM, a gráfica que ganhou a licitação tentou vender a prova antes do tempo. Isso mesmo, com as cópias na mão, tentaram fazer dinheiro e se deram mal. Escândalo descoberto, capa do jornal, ENEM adiado e um corre-corre para refazer a prova, reimprimir, reagendar, reaplicar e corrigir em tempo nas universidades usarem a nota em seus vestibulares. As desculpas? Era o primeiro ano. Aprendemos com os erros e seguimos.

Agora vem esse novo capitulo. Um ano depois de todos os problemas, temos mais e mais confusão. Na aplicação da prova em 2010 uma série de erros de impressão e revisão fizeram com que os estudantes se embananassem na realização da ENEM. Gabarito invertido, questões repetidas, folhas em branco e vários erros de organização.

O MEC jura de pé junto que foram casos isolados, que não comprometeram a qualidade do exame, e que ninguém foi prejudicado. Não foi o que pareceu para muitos estudantes, liminares surgem de todos os lados na tentativa de invalidar o atrapalhado exame que mostrou um resultado alarmante: o Ministério da Educação não tem competência para aplicar uma prova, seja ela para qual finalidade for.

Segundo o Blog o Tas, o MEC pagou mais de 60 milhões de reais para a impressão e logística das provas do ENEM. A pergunta que falta nesse gabarito é: “De quem é a culpa dessa bagunça?”

  • a) do falta de organização do Governo e do Ministério da Educação
  • b) Do fornecedor que faturou seus milhões na licitação e fez um trabalho de merda
  • c) Do sistema de educação brasileiro que ainda prevê provas e vestibulares para o ingresso nas universidades, sendo que, uma análise do histórico do currículo escolar do aluno já resolvia tudo?
  • d) todas as anteriores?

Nota Zero para o órgão que cuida da Educação no Brasil.

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