Ontem começaram as apresentações de 2009 de um dos símbolos natalinos curitibanos, o Coral do Palácio Avenida. Os menininhos que cantam na janela do banco já tornaram-se famosos nacionalmente, quiçá mundialmente, atraindo turistas de todos os cantos.

O coral começou há 20 anos, quando o HSBC nem existia no Brasil. Era o Bamerindus que promovia a cantoria anual com direito a pisca-pisca, shows pirotécnicos e comerciais com o Toni, aquele gordinho barbudo que tudo mundo lembra. Bamerindus faliu, HSBC comprou e cada ano o negócio começou a ficar mais enfeitado e diferente.

A linha entre tradição e clichê é extramente tênue e o Coral do Palácio Avenida entrou naquela lista de coisas que tem todo ano e que você já ta puto de ter que suportar. O espetáculo tornou-se até perigoso. A concentração de um mar de gente na rua, olhando distraído para cima, despertou o interesse de larápios e trombadinhas em geral que aproveitam para fazer a forra enquanto as velhinhas e marmanjos se emocionam. Entre um Então é Natal e uma Noite Feliz, carteiras, celulares e máquina digitais são surrupiadas.

E para quem mora na região? No Edifício Tijucas, por exemplo, bem em frente para o Palácio Avenida. Duas horas antes até duas horas depois das apresentações é impossível andar, trafegar, abrir as janelas ou fazer qualquer coisa por causa da multidão esperando o coral. E o barulho? Musiquinhas, dancinhas, fogos, galera gritando, berrando. É o caos mundial na terra.

Pensando no fim dessa tradição bizarra e na comodidade dos moradores da região bolei alguns planos para sabotar o coral do Palácio Avenida e nos livrarmos de uma vez por todas desta praga.

Sabotagem 1 : Trio elétrico.

Vamos combater fogo contra fogo. Ou seja, música ruim com música ruim. Com um Trio Elétrico, estrategicamente estacionado no meio da Rua XV, onde os sombras atacam transeuntes despreparados, esperaremos a janelinhas se abrirem e os pirralhos começarem a cantar. Assim que isso acontecer, o DJ solta o som, estourando os tímpanos de todos com Funk proibidão e sertanejo dor de corno. Uma atração incrível para as velhinhas carolas que acompanham o Coral todo ano.

Sabotagem 2 : Blackout

Já que apagão está na moda, a estratégia é simples. Tacar um carro em um poste e acabar com a energia do quarteirão inteiro.
Tudo bem que o breu total ajudará mais ainda os batedores de carteira prontos para atacar e que no dia seguinte haveria espetáculo novamente. Porém, a receita pode ser repetida várias vezes, até não haver mais postes, ou carros.

Sabotagem 3: Paintball

Sim, essa é perigosa, afinal, imagina se a pelota de tinta pega na vista de alguma criancinha boca aberta… mas não consigo não imaginar alguém acertando head shots de balas de tinta no purungo dos cantorezinhos. Será que nunca ninguém pensou nisso? Ninguém teve espírito de porco o suficiente? Nenhum pai ou entidade permitiria expor crianças a uma situação de risco dessas.

Sabotagem 4: Buzinaço.

30 ou mais pessoas combinam de ficar em meio a platéia do Coral, fingindo que estão ansiosas para ouvir as criancinhas cantar. Todas elas têm um buzina de gás, daquelas de tiro de partida de competição ou que o povo usa para fazer bagunça em formatura. Assim que o espetáculo começa, as 30 pessoas começam a buzinar sem parar, fazendo com que as vozes se percam ao fundo do uníssono zumbido das buzinas. Causa raiva e descontentamento do público, o que coloca em risco a integridade física dos participantes do plano.

Sabotagem 5 – Encenação da queda.

Esse é o mais perfeito. Porém, o mais arquitetado. Para o plano dar certo é preciso ter uma criança dublê infiltrada no coral. No meio da apresentação essa criança irá se jogar da janela, simulando sua queda. Em solo, pessoas já estarão estrategicamente posicionadas para pegar ela despencando de todos os ângulos. Uma ambulância fake já estará próxima ao local e simulará o resgate, mas informará em alto e bom som que o membro do coral faleceu com queda. Será a ruína do Palácio Encantado. A Capa da Tribuna e Gazeta estamparão a tragédia. Milhares de reportagens abordarão o assunto. Mostrarão como era a segurança das crianaças e como os equipamentos falharam. Denuncias de maus tratos e de compra de vagas no Coral começaram a aparecer e não haverá Relações Públicas competente o suficiente para salvar a imagem da clássica apresentação de Natal.

Depois disso é só acabar com todos os CDs da Simone e estaremos livres de alguns clichês irritantes de Natal.

O Coral do Palácio Avenida se apresenta nos todas sextas, sábados e domingos até o dia 20 de dezembro.