Desde sexta (15 de abril), o que mais se fala nos becos e avenidas principais da Internet é sobre a marca Arezzo e sua, talvez infeliz, ideia de lançar uma coleção chamada Pelemania.

Nos releases e textos de divulgação desta coleção, enviados para vários blogs modinhas de modinhas, um trecho explicava o nome da coleção “peles, naturais ou sintéticas, são tendência no mundo inteiro.”. Se são eu não sei e nem quero saber, o fato é que fato não caiu muito bem.

O povo não curtiu que pele de raposa fosse a matéria prima para algumas peças da coleção e desceu a lenha, munidos de vários argumentos de discursos prontos, politicamente corretos, socialambiantalistamente eco-chatos, em prol de bichinhos fofos e engraçadinhos.

Ou seja, todo mundo virou macho. Comprou a causa das raposinhas, e xingaram a Arezzo mais que a Maria Betânia.

Pois bem, eu não vi mal nenhum. Não vi e não vejo. Não em relação ao uso da matéria-prima em questão, legalizada e certificada. Dentro dos parâmetros exigidos pelas leis nacionais e internacionais. Nenhum animal selvagem virou bolsa, sapato ou cinto. Apensas animais criados para essa única finalidade. Cruel? Pode ser. Desnecessário? Talvez. Claro, podia tudo ser sintético. Mas quem entende moda é a Arezzo, não eu.

O que não entra na minha cabeça é levante da “sociedade internética” nessa questão. Movidos por vídeos da PETA, searcheados no YouTube, ou compostos pelas ideias de que hoje, para ser legal, tem que salvar uma árvore, o povo saiu tacando pedra, sem lembrar na hipocrisia de cada frase.

Comemos animais. Tirando os vegans, que pregam que é possível manter uma dieta saudável abdicando da carne, nosso prato é composto por animais mortos. Testamos medicamentos em animais, ainda bem, pois acho que testá-los em humanos é que seria crueldade. Testamos cosméticos em animais. Porque é preferível que um coelho se queime, pegue pereba, morra de coceira ou fique azul, a que você fique mal. Somos a espécie dominante, que, querendo ou não, sendo certo ou não, domina as demais. E isso, senhores é a natureza!

De gelatina a mistura para bolo, saiba que quase tudo leva um pouquinho de resquícios animais (oia o link!) em suas composições. Casacos de couro de crocodilo são vendidos em lojas de shopping. Sapatos de vaqueiros levam couro de vaca. Que diferença tem uma vaca para uma raposa? Ah, essa eu sei! A vaca serve para alguma coisa: para dar leite, carne, couro, e até para ser cultuada na Índia.

E ai, a coisa mais comum que acontece na Internet é clamar-se por um boicote, normalmente sem fundamento algum. Hoje é o boicote a Arezzo, assassina de raposinhas. Ontem foi a Petrobrás, responsável pela subida do preço dos combustíveis. Ao McDonalds, que vende carne de minhoca. A Coca-Cola, pois vem dos EUA e eles financiam a guerra. E toda aquela bobajada que todo mundo tá careca de ver em correntes por ai.

A real cagada da Arezzo foi não pesquisar e prever esse impacto ou direcionar a comunicação aos consumidores de peles, os que tem grana para comprar a caríssima coleção.

Depois da merda feita, posicionaram-se firmes e fortes, dizendo que, se o problema era vender pele de raposa, todas peças tinham sido retiradas do estoque e que o assunto não seria discutido pois, o trabalho deles era maior do que essa discussão.

Rudes? Talvez. Porém, conscientes de que seus consumidores, aqueles que querem andar com a bota da moda, com o casaco da estação, continuarão comprando lá, mesmo que na Internet, o levante politicamente corretos, preocupados com futuro do planeta e com botos cor de rosa do mar cáspio, tenha xingado muito no twitter.

E as raposas selvagens, livres na natureza, continuarão lá, cumprindo sua utilidade no mundo, servir de comida para seus predadores naturais. Simples assim.

Para a produção desse texto nenhum animal foi maltratado. Ops… matei um mosquito, foi mal.

Leia Também: