Eis que as trombetas de Deus soaram e uma Igreja Bola de Neve mudou-se para frente de minha casa. Um vizinho abençoado, pensei. Mas como Deus escreve certo por linha tortas, o vizinho tido como santo mostrou-se na verdade o diabo!

Os fieis insistem em parar em frente a Guia Rebaixada, atrapalhando meu simples direito de ir e vir. E quando tem culto, o som é tão alto que parece que o Apocalipse já começou.

Vendo tudo isso, irritei-me e tentei dar um basta com o e-mail que colo ai embaixo. Quem leu o texto, disse que ficou bom! Vejam aí:

Querida Igreja Bola de Neve,

Tudo bem?

Há poucos meses vocês chegaram de mansinho e se instalaram ali, na Rua Anne Frank, esquina com a Rua Diogo Mugiatti. O local, antes de ser a sede da Igreja, era uma quadra de Futebol que funcionava de segunda a sábado, das 10 às 22h e, em raríssimas exceções, nos Domingos das 13h às 21h.

Lembro que recebi em casa uma caixa de bombons com alguns dizeres bonitos e um convite para conhecer um culto diferente e estar em paz com o Senhor. Achei bacana. Sou cristão, e acho muito válido que as pessoas dediquem um pouco de seu tempo para agradecer as graças alcançadas, mas, deixei a curiosidade de lado e não aceitei o convite.

Depois da inauguração da Igreja os moradores da região puderam ter a real noção do que seria ser vizinho da Bola de Neve e uma avalanche de problemas começaram a acontecer.

Um deles é o barulho, porém, mesmo falando sobre ele, não aponto como problema principal. Ensaios, cultos e reuniões são sempre acompanhadas de músicas altas e auto-falantes infernais, onde o pastor berra cada vez mais e a cada culto parece entrar em um transe. Orgasmaticamente cada palavra é entoada em um volume e tom cada vez mais alto. Ontem, às 21h30 da noite, só conseguia ouvir vocês.

Acho interessante demonstrar o louvor a Deus, mas questiono a necessidade desse barulho todo, afinal, Deus ouve até o mais silencioso pensamento. Logo, é mesmo necessário incomodar o quarteirão inteiro a cada culto, reza, oração ou cântico? Complicado não?

Mas como disse, não é o principal problema. Os cultos encerram antes das 22h, respeitando a lei do silêncio. Já as leis de trânsito, os fies da Bola de Neve ignoram completamente. De que adianta um fiel ir, religiosamente a Igreja , se ele não respeita o espaço do próximo ao estacionar o carro para ir ao Culto? Não importa o dia ou o horário, se a Bola de Neve enche, sempre algum fiel estaciona em frente as garagens dos moradores da Rua Diogo Mugiatti. E não adianta reclamar, você avisa que aquele local atrapalha a saída do carro, mas o crente ignora completamente o seu pedido.  Por várias vezes já chamei o Diretran, que rege o cumprimento das leis dos homens. O resultado é que eles multam os carros dos desavisados, o que não muda nada para quem tem a garagem obstruída.

Sugiro que vocês repensem um pouco algumas atitudes e pensem nos “próximos” que vivem na região. Além de residências, há uma Pousada destinada a pessoas da terceira idade, garanto que elas também não devem ficar muito contentes com o barulho e com as barberagens dos fiéis. Sobre o estacionamento irregular, que tal lembrar no antes de começar o culto que a garagem dos moradores em volta da Igreja deve ser respeitada? Se não, o fiel poderá, quando voltar, encontrar seu carro multado, guinchado ou até danificado por algum morador que tenta entrar ou sair em sua própria casa.

Conto com a colaboração de vocês.

“O nosso próximo não é o nosso vizinho, mas o vizinho deste – assim pensam todos os povos.” Friedrich Nietzsche

Vamos ver o que acontece.

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