
Quem de fato comemora o Dia dos Namorados? Os casais? Talvez. Pode ser que tenha mesmo um tom de romantismo o ritual de escolher um presente, preparar uma surpresa, fazer um convite especial. Mas quem comemora de fato, a data do dia 12 de junho não são os casais, e sim vários donos de alguns estabelecimentos.
A floricultura vende todo o seu estoque de rosas vermelhas, papel celofane e enfeites de buquês. Chegam a contratar entregadores extras para fazer com que tudo que foi encomendado chegue ao local certo. Mas por que flores? Pra que flores? Flores morrem, murcham, secam. É esse o símbolo que se dá uma relação? Talvez sim, por que todo mundo sabe que nada é para sempre. Mas não consegui entender como gastam vários dinheiros em algo que secará em pouco tempo.
Os restaurantes estão lotados há semanas. Não importa o tipo do restaurante, mas todos estão lotados. Para causar uma boa impressão e, quem sabe, fechar a noite com chave de ouro comendo outra coisa, o namorado sempre escolhe um restaurante chique e supercaro para levar a sua amada. Pergunta para um aqui, outro lá e consegue referências de um lugar bacana para a grande noite e faz suas reservas. Para os mais azarados essa reserva é perdida, não computada, ou o casal leva a sorte de ficar no pior ponto do restaurante: do lado da cozinha, onde todos os garçons saem derrubando os pratos, ou do lado banheiro. Romântico né?
Ou pior ainda: o restaurante foi escolhido porque era um lugar de bacana. Porém, em momento algum o rapaz tentou descobrir do que se tratava aquele lugar, marcou ali porque recebeu a indicação de era o melhor “restaurante de comida contemporânea” da cidade. Mesmo sem ter a mínima noção do que era a tal “comida contemporânea”. Quando ele descobriu que comida contemporânea era algo que você pagava muito e comia pouco, já era tarde, a noite dos sonhos já estava acontecendo.

Os motéis também bombam. Se você passar próximo a um motel na noite de hoje, saiba que dezenas de casais transam loucamente num lugar estranho e caro. Já pararam para pensar quantas noites de prazer uma cama de motel proporcionou? Quantos, antes de você, já estiveram nus em pêlo, copulando naquele lugar? Não dá uma sensação estranha imaginar que cada canto daquele quarto já foi usado por estranhos em seus momentos íntimos? Desculpem-me, mas é fato. Pagar para meter num quarto onde todo mundo já fez isso, é lógico?
Será que não dá para agradar a namorada com um beijo, um carinho, um filme no sofá e um momento junto com ela? Será que um presente, uma surpresa, um jantar não são melhores em uma data aleatória e de fato inesperada? O Dia dos Namorados é, e sempre foi, uma data comercial sem nenhum pingo de romantismo, tanto que comentei aqui, ano passado, que ela havia sido inventada por um publicitário. Logo, vamos trocar o símbolo que representada a data: sai o coração e entra o cifrão.
Leia também:



























12, Jun, 2009 at 9:09 AM
Belo texto Bruno.
Excelentes recomendações, infelizmente o povo é ludibriado pela mídia e pelos publicitários e se entregam de corpo e alma a essas datas comerciais…
Abraço.
12, Jun, 2009 at 10:34 AM
falou e disse.
eu e o namorido particularmente somos adeptos dessa prática. presentes e surpresas são legais fora de época, afinal de contas já é esperado num dia marcado comercialmente, né…
a gente dá presente quando encontra um legal, algo que sabe que o outro vai gostar, independente de natal, aniversário ou dia dos namorados.
12, Jun, 2009 at 11:30 AM
Pretendo fazer chocolates de menta para amigos e namorado nesse dia dos namorados. Gastar um pouco do seu tempo com as pessoas que você ama deve valer mais do que gastar o seu dinheiro.
12, Jun, 2009 at 12:48 PM
Parabéns pelo texto Bruno. É realmente isso. Os casais parecem ficar em frenezi quando essa data chega. O melhor presente para se receber nessa data é o amor mais puro e sincero que se possa dar e isso não precisa estar encaixotado como fazem.
Abraço
12, Jun, 2009 at 2:17 PM
Fico me perguntando por que um publicitário solteirão se incomoda tanto com o consumismo do Valentine’s Day…