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Está na mídia, em widgets de sites e em várias conversas de bar: dia 28 de março, as 20h30 é a Hora do Planeta. Nesses 60 minutos todos devem apagar as luzes de suas casas e fingir que estão fazendo algo para salvar o mundo. Mas será que isso resolve alguma coisa?

Em 2007, a idéia começou na Austrália, em Sydney. Pouco mais de duas milhões de pessoas aderiram o movimento do breu e mantiveram os interruptores desligados. No ano seguinte o evento se popularizou e ganhou mais adeptos, 50 milhões de pessoas em mais de 400 cidades. Apagaram-se ao mesmo tempo as luzes da Golden Gate, do Coliseu e da Opera House.

Esse ano, as estimativas apontam que 1 bilhão de pessoas brincarão de escuro-escuro e jantarão a luz de velas. Grandes monumentos também serão desligados por volta do mundo inteiro, a prefeitura de Curitiba, por exemplo, vai apagar a importantíssima estufa do Jardim Botânico, assim como Paris fará com a Torre Eifel, um exemplo de grande engajamento.

A dúvida é: apagar uma luz faz tanta diferença? Todos os outros equipamentos eletrônicos continuarão ligados, certo? Então será que meter o dedo no interruptor é tão importante assim? E antes disso? E depois disso?


Video que divulga a campanha.

Entrar na onda do “sou consciente ecológico e vou brincar de apagara luz” não ajudar a salvar o mundo, vai apenas contribuir para as estatísticas da “Hora do Planeta”. Se a campanha fosse a favor da redução diária do uso de energia elétrica, do incentivo a procura de energias alternativas, da instalação de sistemas que reaproveitarem a energia solar, tudo bem. Mas é apenas uma luz.

Geladeiras, chuveiros e televisores continuarão ligados. Grandes fábricas continuarão operando. Logradouros públicos continuarão acesos, garantido a segurança da população. E tudo isso, por que é necessário para a sobrevivência de todos nós. Ou desligaremos também a energia de hospitais para mostrarmos o quão politicamente corretos somos?

É moda falar do meio-ambiente. Assim como já foi moda adotar uma ONG. É o jeito de parecer cool, preocupado com o mundo, de fingir fazer o papel. Quando no fundo, todo mundo sabe o que tem que fazer, mas não faz por que não é cômodo. Ninguém está de fato preocupado. E todo mundo sabe disso. Não precisa de data em calendário, cobertura televisiva ou qualquer evento para se fazer de fato a diferença.

No dia 28 de março, as 20h30, eu seria mais um hipócrita entre milhões se apagasse a luz.

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