E pronto senhores, agora temos mais um assunto para ficar a semana inteira, quiçá o mês, estampado as capas dos jornais: o caso Eloá. Claro que foi um crime brutal, um exemplo de psicopata que mora ao nosso lado e nunca vemos, porém tomadas as proporções das 100 horas de seqüestro e do trágico desfecho do caso, a imprensa, sempre ela, foca agora em assuntos secundários enquanto deveria analisar o verdadeiro X do problema: a falta de preparo de nossos policiais.

Alguém se lembra do ônibus 174? A história que recentemente foi trazida por Bruno Barreto aos cinemas e foi o filme escolhido pela Ancine para o Brasil concorrer ao Oscar? Foi algo parecido. Um seqüestrador que fez reféns em ônibus e, na hora de resolver tudo, à polícia se apavorou. O tiro do policial tinha o bandido com endereço, porém, a um palmo, ele conseguiu errar e matar a mocinha.

Dessa vez, ninguém pensou em matar o bandido. Pobre coitado, um jovem psicologicamente abalado, agindo por excesso de amor. Mas ninguém contou que o rapaz, que chegou a chamar cartolas do São Paulo para negociar, poderia se irritar com a invasão atrapalhada, em meio a bombas e escadas penduradas e atirar nas duas moças.

Duas, que poderia ter sido uma, se a amiga da pivô de todo o esquema não tivesse voltado para apaziguar a situação. Enfim, o dobro de riscos na operação e o dobro de vítimas alvejadas. O fim da história não foi nada heróico. Não vimos um “Tropa de Elite”, onde os melhores policiais da corporação, que só ocupam este cargo depois de passar por um treinamento árduo, aniquilando o mal, custe o que custar. Vimos a vida de uma menina de 15 anos ser interrompida por um motivo banal depois de uma negociação de 100 horas.

Os Direitos Humanos impediram o tiro de Sniper que atravessaria o crânio da pessoa certa. E por que não colocaram tranqüilizantes na comida? Por que não invadiram o local enquanto o louco dormia?

O que tudo mundo sabe é que a polícia anda ruim das pernas. Aliás, até esses dias a polícia atirava na própria polícia. Como confiar? Como acreditar que se um dia precisarmos dessas autoridades elas serão eficientes.

Enquanto isso acompanhe a maciça cobertura dos grandes veículos, que agora irão expor qualquer detalhe inútil deste caso, afinal desgraça sempre deus audiência.

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