Archive for June, 2009
A final da Copa das Confederações trouxe várias surpresas. A primeira foi a classificação do time do Tio Sam, que até então nunca tinha tido sucesso com a bola nos pés, e chegara a final depois de eliminar a Espanha, favorita absoluta. A segunda, que nem é uma surpresa tão grande assim, é que o time de Dunga, Ramirez (quem é Ramirez mesmo?) e companhia limitada vai ter que camelar muito se quiser ganhar alguma coisa sem sofrer. O resultado? Uma virada difícil, 3 a 2, com um gol de salvador de Lúcio.
Porém, o fato mais curioso não acontecia na África do Sul, palco da final, mas sim nos Estados Unidos. Enquanto o time americano vencia por 2 a 0, Ashton Kutcher, “ator” cômico de filmes escrotos como Cara cadê meu carro? e A Família da Noiva (não sei qual é pior), famoso no Twitter pela campanha para angariar 1 milhão de seguidores antes da CNN (a @twittess deve ter um pôster dele no quarto, certeza!) tentou tirar um sarrinho com os brazucas. Munido da ausência de cérebro e um senso de humor bem duvidoso, provado pelas suas atuações em séries e filmes, escreveu uma piadinha infame, colou no google translator e twittou. O resultado foi esse:

O “chupa-lo” da tradução automática mexeu com o brio dos brasileiros que não perdoaram o ator. A virada aconteceu, o Brasil foi campeão e no fim das contas quem chupou foi ele. Todas as arrobas indignadas mandaram reply para ele e criaram uma espécie de movimento para todos postassem a palavra “#chupa”. O resultado foi que em pouco tempo a tag alcançou o primeiro lugar no Tranding Topics, passando assuntos como a morte de Michael Jackson, o golpe militar em Honduras e as Eleições Iranianas.

A brincadeira foi desfeita pelo twitter, talvez pelo conteúdo ofensivo da tag. Mas deixou clara a força brasileira na ferramenta de microblog. Porém, como alguns usuários lembraram, essa força devastadora, mais manipuladora que Antonio Tabet, (esse sim chupa mais que todo mundo) poderia ser utilizada para propósitos mais úteis. Por exemplo, na sexta passada, os twitteiros foram convidados a demonstrar sua indignação e postar “#forasarney”. A tag acumulou bons números, mas o resultado foi incomparável ao #chupa depois da final da Copa das Confederações.
O que leva a crer que das duas uma: ou o twitter é um espaço onde o povo prefere fazer manifestações um pouco mais funnys, descomprometidas com a realidade. Ou, que todo mundo já cansou de se indignar com as patacoadas dos parlamentares e está pouco se fodendo para o #forasarney.
Fica portando a duas lições: uma, digna de moral de Fábula de Esopo ou final de desenho do He-man, explicando que nunca se conta vitória antes do tempo, principalmente se você fizer isso utilizando uma ferramenta de tradução. E a outra é temos uma importante arma em nossas mãos e que, se soubermos usa-la, poderemos ser ouvidos por muita, mas muita gente.

Ontem, uma decisão do STF rendeu muita discussão para os que trabalham, estudam ou estão ligados a área de comunicação: a partir de agora não é mais necessário ter diploma de jornalista para exercer a profissão.
A notícia caiu como uma bomba em muitas redações e universidades. Indignados, muitos jornalistas e acadêmicos declararam que isso era um desrespeito, uma desvalorização da profissão e ao diploma de jornalismo, muitos inclusive disseram que, agora, seus canudos não têm mais valor algum. Outros afirmaram que com a mudança qualquer analfabeto poderá trabalhar em uma redação e que qualquer pessoa que esteja a fim de se intitular “jornalista”, poderá fazer isso.
Porém, se olharmos bem a fundo, não é bem assim. Ninguém disse que a partir de agora aceitarão profissionais medíocres, sem formação ou sem preparo na redação dos grandes jornais. Ninguém disse que os cursos de jornalismo perderam seu valor, ou que suas aulas e ensinamentos não valem mais nada. A única coisa que aconteceu é que deixou de ser exigido um diploma.
Já pararam para contar quantas faculdades, universidade e cursos superiores existem por ai? Quem garante a qualidade de todas elas? Muitas, não são se quer reconhecidas pelo Ministério da Educação e Cultura, mas, todo ano, abrem mais e mais turmas, garantindo uma formação duvidosa a alunos que saem com diplomas, mas com um preparo bastante questionável.
E mesmo nas universidades bem conceituadas, onde são de fato passados valores, conceitos e vivencias de mercado, muitos alunos se formam “por acidente”, pois passaram todos os anos da faculdade brincando de turistas e não absorveram metade dos conhecimentos passados. Mesmo assim, eles saem com o mesmo título que o melhor aluno da sala: ganham um diploma.
Diploma este que não é exigido para muitas áreas, de igual importância e valor. Eu, como publicitário por formação e ofício, não me incomodo nenhum um pouco que de não exigirem meu diploma (recém conquistado). Pelo contrário, os melhores publicitários com quem trabalhei são da velha guarda, do tempo que o curso de Publicidade e Propaganda se quer existia. Logo, exigir a formação de um publicitário é uma grande utopia. E mais ainda, existem agências ao redor do mundo que preferem os não publicitários. Colocam no quadro de funcionários, psicólogos, antropólogos, sociólogos e diversos outros profissionais, na tentativa de entender melhor o público alvo de seus clientes, interessante, não?

Será que um técnico em informática não teria muito mais respaldo e autoridade para escrever uma matéria de sua área? Um atleta falando sobre seu esporte? Um nutricionista sobre tratamentos contra obesidade? Talvez. Será que o jornalista tem que ser aquele cara que decorou todas as teorias da comunicação e tirou dez em todas as provas de teoria do jornalismo? Acho que não.
A não exigência do diploma para exercer o cargo de jornalista não diminui a profissão e tão pouco coloca em xeque a credibilidade dos jornalistas. Não é porque o diploma não é mais obrigatório que não é necessária formação aos aspirante a jornalista. Extinguiu-se apenas uma formalidade, uma barreira que não filtrava nada.
Com diploma, ou sem diploma, sempre haverá espaço para os bons profissionais, ter medo dessa mudança só demonstra o receio e a insegurança dos que não confiam em seu trabalho.
Para finalizar, tenho a certeza que a partir de agora não é todo mundo que poderá ser jornalista, mas sim aqueles que forem considerados competentes para isso.
Em tempos em que eco-chatos brotam por todos os cantos, muito se fala da substituição de automóveis pelo transporte coletivo. Afinal, gastar combustível uma vez só para levar 100 pessoas apertadas polui menos do que 100 pessoas fazendo o mesmo trajeto confortavelmente em seus automóveis.
Logo, incentivar a população a utilizar o transporte coletivo é algo que pode contribuir para o bem de todos. Porém, antes disso deveriam incentivar as pessoas a serem educadas. Isso mesmo, não é falta de investimento ou estrutura o problema do transporte coletivo no Brasil, mas sim, a falta de educação dos usuários. Os exemplos a seguir são baseados em fatos reais. Todos vivenciados por quem rascunha este texto.
Sete da manhã, você acabou de acordar e ainda está com os olhos remelentos, bocejando e esperando o ônibus chegar ao seu destino para iniciar mais um dia de trabalho. Seu único desejo é relaxar para começar bem o dia. É claro que, conseguir isso em um lugar onde mais de 100 pessoas se encoxam, é uma tarefa árdua, porém, dá-se um jeito. Eis que surge o maior dos inconvenientes: o corno que roubou comprou um celular da moda que toca MP3 e em vez de ouvir os últimos hits de rap, funk ou sertanejo em seus fones de ouvido, acha que todos do ônibus devem compartilhar de seu mau gosto musical. O infeliz toca aqueles barulhos em alto e bom som, sem se importar com ninguém. Reclamar é difícil, porque normalmente esses cidadãos têm cara de pessoas que acabaram de passar um bom tempo em um presídio, então, só nos resta torcer para que a bateria dele acabe logo.
Ônibus não é lanchonete. Mesmo assim, tem gente que gosta de comer nele, o que, convenhamos, é algo muito anti-higiênico. E em quase 100% dos casos, o alimento do faminto passageiro é algo malcheiroso, que desde o motorista até o último passageiro torcem o nariz. O pior de todos, o algoz de todos os narizes são os salgadinhos, aqueles que as avós dão para seus netinhos irem roendo, na esperança que o peste fique quieto com a boca cheia de farelo.
No quesito odores, há sempre o povo que não sabe o que é sabonete, xampu ou desodorante. Não importa a hora que você pegue ônibus, sempre tem alguém com aquele cheiro desagradável de vestiário masculino depois do futebol e olha que na maioria das vezes a pessoa parece não saber que está na asa. E nem precisamos comentar que flatulências são coisas extremamente repugnantes em um ambiente onde todos estão respirando o mesmo ar.
Ônibus é uma ótima incubadora de vírus e bactérias. Ninguém lembra que existem janelas e que elas precisam estar abertas para ventilar. Aqui em Curitiba, por exemplo, se fez um pouquinho de frio, o ônibus já fica inteiro fechado. E se você ameaça abrir, recebe um baita esporro “vai vir vento, e está muito frio! Fecha esse troço”. Janela fechada, todo mundo aquecido e contraindo meningite, muito bem!
E nos ônibus que as pessoas entram e saem pela mesma porta? O que custa aguardar o desembarque? O ônibus não vai fugir! Ele sempre espera todos saírem, todos entrarem e aí sim vai embora. Os que querem entrar parecem achar que disputam as Olimpíadas e, em busca da medalha de ouro, saem dando encontrões e cotoveladas em todo mundo.
Idosos têm a preferência. Gestantes também. Então sempre ceda o seu lugar para eles. Mas se você é um idoso(a) ou uma gestante, não fique de frescura! Quando ofereceram um lugar para você, sente de uma vez. Nada de dizer que vai descer no próximo ou que em pé está bom. Quando se é gentil, a pessoa não aproveita. Dá para entender?
Tudo isso leva a crer que não adianta ônibus novos e que passem com mais frequência, passagens mais baratas e novas linhas, se quem torna uma simples viagem casa-trabalho desgastante são os próprios usuários mal-educados, e como diz aquela velha frase clichê, educação vem de casa.
Passageiro, ao entrar no ônibus lembre-se, você não está sozinho.

Há um ano nascia o Salve a Rainha. Ele ainda não tinha essa cara e esse domínio, mas no dia 12 de junho de 2008 recebia o primeiro post. Desde então, foram vários textos postados e muitas visitas.
Se o blog não me proporcionou nenhum ganho financeira, me trouxe uma recompensa muito maior: muitos amigos, conhecidos, viagens a eventos, palestras e etc. E é por tudo isso que comemoro muito essa data.
Agradeço a todas as visitas, aos 70 leitores de Feed, aos mais de mil seguidores no Twitter e a todos os páraquedistas que clicaram nos liks patrocinados. E para todos, reafirmo o compromisso de continuar postando novos textos no Salve a Rainha.
Um muito obrigado especial também a todos que me ajudaram de alguma forma, dando dicas de programação, design, otimização, enfim, qualquer coisa, já que a única coisa que acho que sei é escrever.
Para completar, separei os 10 melhores textos entre as 103 postagens nesses 365 dias. Confiram o TOP 10 do Salve a Rainha.
Deus salve a Rainha, pois até um peão pode comê-la.
Os melhores textos:
- Dia de João Dória. A verdadeira história do Dia dos Namorados
- A Louca da Osório. O dia em que uma mulher louca parou o centro de Curitiba.
- Como escolher o seu candidato a vereador. Crônica escrita nas vésperas das eleições, ironizando o dom dos brasileiros em escolher mal os seus governantes.
- Curitiba, eu te traí. Os encantos de São Paulo me fizeram desejar voos mais altos.
- Mais respeito com o Rubinho. As injustas (e as vezes justas) críticas e piadas a imprensa brasileira sobre o recordista piloto de Fórmula 1.
- Como sobreviver dois dias em Curitiba. Guia prático e ironico para o povo que veio ao FMDS, em dezembro do ano passado. Teve gente que levou muito a sério.
- Zelador de Ilha, o melhor emprego do mundo: O texto que mais recebeu visitas na história do Blog. Ilha Australiana procurava zelador e pagava bem.
- A Hora do Planeta: apagar a luz não vai fazer a diferença. Texto polêmico sobre a mobilização para a hora do planeta, momento em que o mundo inteiro apagaria as luzes pensando no aquecimento global.
- Cota para canhotos. Texto ironico mostrando que se as minorias perseguidas ao longo do tempo merecem cotas, os canhotos também devem ganhar as suas.
- O avião que sumiu para a imprensa brasileira. O sensacionalismo da imprensa brasileira escancarado no caso do Airbus que caiu no mar.
Vem muito mais por ai. Assine nosso feed e me siga no Twitter.

Quem de fato comemora o Dia dos Namorados? Os casais? Talvez. Pode ser que tenha mesmo um tom de romantismo o ritual de escolher um presente, preparar uma surpresa, fazer um convite especial. Mas quem comemora de fato, a data do dia 12 de junho não são os casais, e sim vários donos de alguns estabelecimentos.
A floricultura vende todo o seu estoque de rosas vermelhas, papel celofane e enfeites de buquês. Chegam a contratar entregadores extras para fazer com que tudo que foi encomendado chegue ao local certo. Mas por que flores? Pra que flores? Flores morrem, murcham, secam. É esse o símbolo que se dá uma relação? Talvez sim, por que todo mundo sabe que nada é para sempre. Mas não consegui entender como gastam vários dinheiros em algo que secará em pouco tempo.
Os restaurantes estão lotados há semanas. Não importa o tipo do restaurante, mas todos estão lotados. Para causar uma boa impressão e, quem sabe, fechar a noite com chave de ouro comendo outra coisa, o namorado sempre escolhe um restaurante chique e supercaro para levar a sua amada. Pergunta para um aqui, outro lá e consegue referências de um lugar bacana para a grande noite e faz suas reservas. Para os mais azarados essa reserva é perdida, não computada, ou o casal leva a sorte de ficar no pior ponto do restaurante: do lado da cozinha, onde todos os garçons saem derrubando os pratos, ou do lado banheiro. Romântico né?
Ou pior ainda: o restaurante foi escolhido porque era um lugar de bacana. Porém, em momento algum o rapaz tentou descobrir do que se tratava aquele lugar, marcou ali porque recebeu a indicação de era o melhor “restaurante de comida contemporânea” da cidade. Mesmo sem ter a mínima noção do que era a tal “comida contemporânea”. Quando ele descobriu que comida contemporânea era algo que você pagava muito e comia pouco, já era tarde, a noite dos sonhos já estava acontecendo.

Os motéis também bombam. Se você passar próximo a um motel na noite de hoje, saiba que dezenas de casais transam loucamente num lugar estranho e caro. Já pararam para pensar quantas noites de prazer uma cama de motel proporcionou? Quantos, antes de você, já estiveram nus em pêlo, copulando naquele lugar? Não dá uma sensação estranha imaginar que cada canto daquele quarto já foi usado por estranhos em seus momentos íntimos? Desculpem-me, mas é fato. Pagar para meter num quarto onde todo mundo já fez isso, é lógico?
Será que não dá para agradar a namorada com um beijo, um carinho, um filme no sofá e um momento junto com ela? Será que um presente, uma surpresa, um jantar não são melhores em uma data aleatória e de fato inesperada? O Dia dos Namorados é, e sempre foi, uma data comercial sem nenhum pingo de romantismo, tanto que comentei aqui, ano passado, que ela havia sido inventada por um publicitário. Logo, vamos trocar o símbolo que representada a data: sai o coração e entra o cifrão.
































