Archive for March, 2009
A prova que inaugurou a temporada 2009 da Fórmula 1 entrou para história. Primeiro, pelas novas regras impostas pela FIA que incluíam asas menores, pneus lisos, reaproveitamento de energia cinética, limitação de 8 motores por piloto na temporada e várias outras alterações técnicas.
Segundo, pela pole e dobradinha de uma equipe estreante, a Brawn GP. Renascida das cinzas da Honda, que no final de 2008 anunciou que estaria se retirando da Fórmula 1, a equipe liderada pelo experiente Ross Brawn herdou o chassi da equipe japonesa, carro que já vinha sendo projetado desde o meio do ano passado. Agregou-se ao monoposto o motor Mercedes e a experiência de dois pilotos desacreditados mas muito competentes, Jason Button e Rubens Barrichelo. O resultado não podia ser melhor, a ponta.
Andar na frente já rendeu a Brawn fechar alguns patrocínios. O principal deles com a Virgin, empresa americana que já estampa timidamente o carro.
Novidade também foi ver a Ferrari não completar a corrida com nenhum de seus dois carros. Massa e Kimi recolheram para a garagem depois de uma corrida apagada. McLaren também não fez muito, apesar de colocar Hamilton em 3º, em uma boa corrida de recuperação, a escuderia inglesa não pareceu nem de longe a papa-vitórias do ano passado.
Vettel e Kubica, com suas RBR e BMW acabaram fazendo uma sopa de letrinhas faltando 3 voltas para o final. Ambos se enroscaram e desperdiçaram o 2º e 3º lugar depois de uma excelente corrida. Pior para o alemão que foi responsabilizado pelo acidente, multado e perderá 10 posições na Malásia.
Alonso pontuou, mas saiu insatisfeito. Primeiro com seu carro: falou mal do Kers, do acerto e de tudo. Segundo, das rivais (Brawn, Toyota e Willians) que utilizam os famosos difusores que estão rendendo muita, mas muita discussão. A corte da FIA decidirá na segunda semana de abril se as peças são legais ou não.
As Willians, que prometeram muito nos treinos, não renderam tanto. Nakajima confirmou a máxima que Japonês não nasceu para Fórmula 1 e arrebentou-se sozinho no muro. Rosberg ia bem, mas quando colocou os horríveis pneus macios e mal calçado, caiu lá para trás.
Trulli e Glock levaram as Toyotas para a zona de pontuação, porém o italiano Jarno Trulli perdeu 25 segundos por fazer uma ultrapassagem em Safety Car, por isso caiu para 10º. Mesmo assim, mostrou o avanço do carro japonês, que apesar da crise, conseguiu nascer bem.
Buemi também entrou para história e pontuou em sua estreia, vamos ser o suíço repete o sucesso que Vettel fez ano passado com o carro da STR.
Piquet, que tinha uma boa estratégia e chances de terminar bem, teve problemas nos freios e acabou na caixa de britas. Provavelmente levou um puxão de orelha do pai Nelsão que acompanhava a corrida.
Por fim, demonstrou-se que muita coisa pode acontecer. Brawn é favorita e as outras equipes grandes terão que correr atrás da nanica e desacreditada equipe. Barrichelo, não foi tão bem quanto o esperado, mas chegou em segundo calando muitos críticos que consideravam o piloto já aposentado. Com o resultado ele melhorou ainda mais dois quadros, tornou-se o 4º maior piloto a chegar entre os 3 primeiros e subir ao pódio e o 5º maior pontuador de toda a história da Fórmula 1. Se muitos não têm admiração pelo piloto, ele merece ao menos respeito por uma carreira brilhante que teve tudo, menos um título mundial. Quem sabe ele não assusta todo mundo e não leva o caneco para casa?
Confira o resultado final da corrida.
1 Jenson Button (Brawn-Mercedes)
2 Rubens Barrichello (Brawn-Mercedes)
3 Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes)
4 Timo Glock (Toyota)
5 Fernando Alonso (Renault)
6 Nico Rosberg (Williams-Toyota)
7 Sebastien Buemi (STR-Ferrari)
8 Sebastien Bourdais (STR-Ferrari)
9 Adrian Sutil (Force India-Mercedes)
10 Nick Heidfeld (BMW Sauber)
11 Giancarlo Fisichella (Force India-Mercedes)
12 Jarno Trulli (Toyota)
13 Mark Webber (RBR-Renault)
Vídeo da primeira vitória da Brawn.
Próxima etapa: GP da Malásia dia 6 de abril, às 6h.
Hoje, 29 de março de 2009, o município de Curitiba sopra as velinhas mais uma vez. São 316 anos de muita tradição.
Mesmo brincando com os estereótipos curitibanos e assumindo a maioria deles (somos sim, chatos, fechados, arrogantes, bucólicos e não damos bom dia) amo essa cidade. Há muito tempo ela não é mais a capital ecológica, a cidade sorriso, a capital social. Mas é uma cidade linda, que respira um ar que mistura o excesso de conservadorismo com aspirações de uma metrópole cosmopolita que quer ser crescer cada vez mais. Destaques econômicos, de qualidade de vida, de educação e muitos outros atributos fazem qualquer pessoa que aqui resida se orgulhe muito.
Para completar meu discurso orgulhoso, porém rabugento, como sempre, separei um texto de um de nossosmelhores escritores: Dalton Trevissan, o Vampiro de Curitiba. Em Curitiba Revistada, ele faz uma crítica construtiva sobre o que é e o que um dia já foi essa linda cidade.
Parabéns Curitiba. 316 anos sem dar bom dia para ninguém.
Curitiba Revisitada

Em 2008, viu-se um dos campeonatos de Fómula 1 mais disputados de todos os tempos. Título decidido por um ponto, na última curva, alternância de vitórias, brigas, pegas e etc. E desde lá já estava decretado que em 2009 seria tudo ainda mais intenso, já que uma série de mudanças já estavam previstas.
Mudou-se logo tudo. Pneus lisos, proibição de vários recursos aerodinâmicos, redução do carro, das asas traseiras, mudanças na asa dianteira, fazendo ela parecer um quebra-mato e um tal Kers, que é um reaproveitador de energia cinética. Os carros ficarem feios esteticamente, mas ficaram a cara dos carros do meio da década de 90, os saudosistas gostaram.

Imagem retirada do Blog do Capelli
Entre os pilotos poucas mudanças. Entrou apenas Sebatian Buemi (mais um tião, para completar o time) no lugar do escocês David Choultard que se aposentou. Vettel foi para RBR e o suíço estreante ficou com seu posto no time B dos energéticos, a STR.
Mudança também na equipe de Button e Barrichelo. Depois da Honda anunciar sua retirada surgiu das mãos de Ros Brawn, a Brawn GP. Equipe que começou com tudo, surpreendeu muita gente e promete arrebatar vários pontos e, quem sabe, até vitórias. Time forte e equipamento bom e um motor Mercedes forte. Receita de sucesso que já garantiu dobradinha na primeira fila do grid de largada.
Felipe Massa entra nas pistas com status de campeão. Depois de ficar pela boa no ano passado e vencer a maioria das provas, esse pode ser o ano dele, se o brasileiro se adaptar as mudanças do carro.
A McLaren não foi tão bem nos testes e no treino oficial do GP da Austrália, terá que fazer muito para dar condições a Lewis Hamilton repetir da fasanha do ano passado.
BMW também não mostrou tanta força quanto ano passado. Porém, Willians e Toyota, duas afetadas violentamente pela crise, prometem supercarros competitivos que possam de vez em quando incomodar os grandes. Porém, ambas as equipes, mais a Brawn, utilizam o difusor da discórdia, peça que tem dado mais estabilidade ao carro e causado polêmica com as rivais.
Renault não parece andar bem, apesar de ter o piloto mais completo do grid, Fernando Alonso. Quem sabe com braço do espanhol a equipe francesa não possa voltar ao alto do pódio.
Minhas apostas são otimistas: uma ótima temporada para Rubens Barrichelo, com vitórias, quem sabe a primeira vitória da Brawn, e muitos pontos para calar a boca da imprensa que o deu como derrotado. Uma briga aberta pelo título, onde tudo pode acontecer e um ano onde muitos pilotos devem fazer suas últimas temporadas: Barrichelo, Trulli, Fisichela e quem sabe até Weber.
Apertem os cintos e acompanhem a temporada 2009 de Formula 1 aqui no Salve a Rainha.
Mais uma vez fui convidado para participar do melhor Podcast de Cinema do Brasil: o RapaduraCast. E o tema da semana foi a Trilogia Matrix, já que o primeiro está prestes a completar 10 anos.
Jurandir Filho, Raphael Santos, o Ph, Thiago Siqueira e eu desvendamos todos os segredos do filme, falando sobre teorias, filosofias e todos os mistérios da Matrix. Quer libertar a a sua mente e enter o que é a Matrix? Clique aqui e baixe o programa.
Aproveite, e assine o Feed do RapaduraCast

Está na mídia, em widgets de sites e em várias conversas de bar: dia 28 de março, as 20h30 é a Hora do Planeta. Nesses 60 minutos todos devem apagar as luzes de suas casas e fingir que estão fazendo algo para salvar o mundo. Mas será que isso resolve alguma coisa?
Em 2007, a idéia começou na Austrália, em Sydney. Pouco mais de duas milhões de pessoas aderiram o movimento do breu e mantiveram os interruptores desligados. No ano seguinte o evento se popularizou e ganhou mais adeptos, 50 milhões de pessoas em mais de 400 cidades. Apagaram-se ao mesmo tempo as luzes da Golden Gate, do Coliseu e da Opera House.
Esse ano, as estimativas apontam que 1 bilhão de pessoas brincarão de escuro-escuro e jantarão a luz de velas. Grandes monumentos também serão desligados por volta do mundo inteiro, a prefeitura de Curitiba, por exemplo, vai apagar a importantíssima estufa do Jardim Botânico, assim como Paris fará com a Torre Eifel, um exemplo de grande engajamento.
A dúvida é: apagar uma luz faz tanta diferença? Todos os outros equipamentos eletrônicos continuarão ligados, certo? Então será que meter o dedo no interruptor é tão importante assim? E antes disso? E depois disso?
Video que divulga a campanha.
Entrar na onda do “sou consciente ecológico e vou brincar de apagara luz” não ajudar a salvar o mundo, vai apenas contribuir para as estatísticas da “Hora do Planeta”. Se a campanha fosse a favor da redução diária do uso de energia elétrica, do incentivo a procura de energias alternativas, da instalação de sistemas que reaproveitarem a energia solar, tudo bem. Mas é apenas uma luz.
Geladeiras, chuveiros e televisores continuarão ligados. Grandes fábricas continuarão operando. Logradouros públicos continuarão acesos, garantido a segurança da população. E tudo isso, por que é necessário para a sobrevivência de todos nós. Ou desligaremos também a energia de hospitais para mostrarmos o quão politicamente corretos somos?
É moda falar do meio-ambiente. Assim como já foi moda adotar uma ONG. É o jeito de parecer cool, preocupado com o mundo, de fingir fazer o papel. Quando no fundo, todo mundo sabe o que tem que fazer, mas não faz por que não é cômodo. Ninguém está de fato preocupado. E todo mundo sabe disso. Não precisa de data em calendário, cobertura televisiva ou qualquer evento para se fazer de fato a diferença.
No dia 28 de março, as 20h30, eu seria mais um hipócrita entre milhões se apagasse a luz.


































