“Que perigo! Imagine se pega na vista.”

Antes de começar, uma explicaçãozinha rápida: vocês sabem o que é o CONAR? Pois bem, é o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, que foi criado no fim da década de 70 na tentativa de evitar a censura prévias de anúncios publicitários. Então o órgão composto por anunciantes, veículos, publicitários e propagandistas constituíram um Código de Ética e passaram a julgar o que pode e não pode ser veiculado. Legal? Então vamos ao que interessa.

Se você é menino com certeza brincou de carrinho na infância. Se é menina talvez também, vamos fugir dos estereótipos. Sim, eu tinha a minha coleção de carrinhos. Pedia para minha mãe ir uma loja no terminal do Boqueirão e pelo preço que hoje é um Hot Wheels comprávamos uma cartela com 5 carrinhos no mínimo. A graça? Batizar cada um com o nome de um piloto de fórmula 1 e fazer campeonatinhos. Imitava Galvão, anotava pontuação e tudo. Adorava!


Mas graça mesmo era quando um carrinho batia no outro e provocava acidentes. Mesmo assim sempre era cuidadoso para não estragar os pequenos veículos. Sempre tive muito apreço por meus brinquedos.

Hoje, os carrinhos são diferentes. Têm design e pinturas estilosas, pistas radicais e tudo mais. E para cativar ainda mais a garotada a Hot Weels encomenda de suas agência vídeos mostrando carrinhos em alta velocidade, correndo, levantando vôo, batendo e… pronto. Foi o suficiente para uma tia velha que não tinha o que fazer, reclamar.


O Instituto Alana, organização em prol dos direitos do consumidor infantil denunciou ao CONAR os anúncios da linha Hot Wheels Crashers. A ONG alegou que os filmes mostravam carrinhos em alta velocidade e insinuavam destruições e colisões entre os brinquedos e tudo isso é contra o Código de Trânsito. Além, de ter frases do imperativo como “Não fique fora dessa” e “Colecione”. Defendidos por um discurso babaca, mas fundamentado de uma piscologa, o CONAR concordou e ordenou a retirada dos anúncios do ar alegando que de fato, aquelas cenas desrespeitando o código de trânsito.

Agora me diz qual é a relação entre brincar de bater carrinhos de brinquedo com acidentes de trânsito de verdade? Tenho CNH, dirijo (muito pouco) mas tenho total consciência que não posso bater de frente com um outro carro de verdade porque além de estragar o meu brinquedo e o brinquedo de meu coleguinha, eu posso me estragar e não ter mais conserto. Educação no trânsito não tem nada a ver com brincadeira de criança. Esse discurso com excesso de proteções, que tudo faz mal é imoral ou engorda dá nos nervos. Daqui uns brincar de policia e ladrão vai dar cadeira para o ladrão, mãe se esconde será uma cuasa para acidentes sociais analisarem e Cobra-Cega para o Ibama proibir.

Brinquei de jogos violentos, brinquei de bater carrinhos e até hoje não matei ninguém. Devo ter um grande defeito.

E para encerrar a Hot Wheels já está preparando a sua nova linha de brinquedos e anúncios que não vão ser retirados do ar. É linha Hot Wheels Auto-Escola. Ela vem com um carrinhos que respeitam o limite de velocidade, não param em fila dupla e ainda dão pisca quando vão fazer uma conversão. E quem não guarda eles depois de brincar leva multa de 4 pontos e 70 UFIRs, além da apreensão do direito de ver TV.

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