Com o quase fim da Copa do Mundo, ou melhor, com o fim da Copa do Mundo para o Brasil (Felipe Melo e Dunga mandam lembranças por isso), chegou a hora de tocar no segundo assunto mais importante do ano: as Eleições.
Desde segunda já podem rolar passeatas, comícios, caminhadas, bandeiradas e mendicância de votos, afinal todas as convenções já foram realizadas e todos os candidatos já estão definidos.
A incoerência das Eleições começa com a divulgação dos orçamentos para campanha. 180 milhões aqui, 153 milhões ali e uma dinheirama jogada fora em santinhos, passagens, bandeirolas e afins. Dinheiro esse que doado por pessoas físicas e jurídicas, não por amizade ou simpatia a uma bandeira, mas como garantia de facilitações futuras. Praticamente um investimento, se o candidato ganha, quem doou mais recebe a maior bocada.
Incoerência que segue na formação das chapas e coligações, quando adversários históricos se unem para ganhar um segundo mais na TV, um espaço a mais no palanque. O fulano que sempre odiou sicrano esquece por 90 dias toda rivalidade. Cola adesivo, veste camiseta, carrega bandeirinha e ainda diz afirma que nunca foi adversário de ninguém.
O oposto também acontece. Candidato A que sempre foi aliado de Candidato B resolve, de uma hora para outra, mudar de partido e partir para guerra em busca de um cargo de destaque.
E ai, como ninguém mais acredita na política, como a corrupção já virou senso comum entre eleitores e eleitos e nossos parlamentares já viraram chacota há tempos em programas de humor, qualquer Mané resolve entrar na disputa. O Horário Eleitoral vira um freak show dividindo figurinhas carimbadas que já estão esquentando suas cadeiras nas Assembléias e Câmaras da vida há mais de 20 anos, e aqueles pobres coitados que resolvem fazer graça só para aparecer.
Nessa hora, tem de tudo. E mesmo tendo várias opções o povo continua votando nas mesmas laranjas podres. Naquele radialista que ajuda a comunidade pensando em voto, naquele Pastor que utiliza a sua liderança religiosa para se dar bem na vida pública e naquela filho daquele um que já fio eleito e que deve ser gente boa igual ao pai.
E em tempos em que as pessoas estão começando a pensar em que número digitarão antes de apetar o botão verde da urna, uma adaptação da história de Dias Gomes, que já foi novela e série da Rede Globo, estreará nas telonas. Dia 23 de julho entra em cartaz O Bem Amado, filme que resume diretinho o perfil de 70% dos políticos do Brasil: carisma, meia dúzia de palavras bonitas e um prato cheio de más intenções.
Quer ver? Assistam ao filme e procurem semelhança com aqueles que sobem no palanque. As semelhanças serão notáveis.






